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Brincar para aprender

Crianças e jovens entediados, sem vontade de estudar, de aprender. E todos gostam de brincar. Por que não aproveitamos isso?

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Crianças brincando com toquinhos de mandeira • STANDRETT / Freepik

Quando as famílias procuram escolas para crianças menores de seis anos, geralmente prestam atenção no parque, nas áreas livres, nos brinquedos disponíveis. Para professores, o pensamento também não é diferente: crianças de até 10 anos precisam brincar. Nas aulas, também há tempo garantido para essa faixa etária, com brinquedos, livros e jogos que favorecem a aprendizagem. Porém, vira e mexe surgem dúvidas sobre qual o tempo ideal. Por exemplo: o recreio deve ser totalmente livre para crianças correrem e brincarem como quiserem, ou professores devem coordenar essas brincadeiras? De toda forma, há o tempo do lúdico para os pequenos.

O problema começa a existir quando as crianças crescem mais um pouco. No sexto ano, a quinta série do meu tempo (e acho que de muitos leitores), normalmente se perde o direito de levar brinquedos para a escola, e o tempo para brincar acaba sendo reduzido, ocupado por mais aulas, cadernos e livros. Muitos estudiosos , observando isso, realizaram pesquisas sobre a necessidade de ter espaço para o lúdico também para as crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos na educação, ou seja, é importante não perder o fator humano, necessário a todos nós, que é o brincar, mesmo que a brincadeira mude e se torne mais desafiadora, conforme eles crescem. Sim: brincar é preciso!

Porém, ainda assim, você que acompanha esta minha coluna, talvez esteja se perguntando: após temas sérios como Amazônia e Educação Antirracista, por que falar sobre brincar? A resposta está na realidade complexa que vivemos e que abrange questões desafiadoras como o enfrentamento das mudanças climáticas e a construção de uma sociedade sem racismos. O tempo de brincar é fundamental para que haja tempo de sonhar e de desenvolver aprendizados sociais. Aprendemos uns com os outros e nisso, está incluso o diálogo entre famílias, crianças e jovens, entre professores e estudantes, com amor, leveza, risadas, curiosidade, jogos de descobrir, de investigar, de criar, de viver. A educação está em todos os espaços e arrisco defender que não há ciência, não há conhecimento que não caiba em um viver-brincar como esse. Conquistar os jovens para isso pode, sim, começar com uma brincadeira.

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Alcielle é diretora de educação do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É doutora em Psicologia da Educação e mestre em Educação: Formação de Formadores