Na Assembleia, grandes legendas crescem, outras desaparecem
No contexto das novas exigências impostas ao desempenho de partidos com a cláusula de barreira, PSD, PT, PL e União ganham novos deputados. Partidos disponíveis são espécie em extinção

Quem entra e quem sai nesta ciranda partidária, que está rodando a todo vapor na Assembleia Legislativa de Minas? Atualmente o legislativo estadual mineiro tem 21 partidos representados e vai ficar com 16 legendas após os movimentos desta época de migrações.
A janela partidária se fechará em 3 de abril, seis meses antes das eleições de 4 de outubro. PRD, Solidariedade, Podemos, Cidadania e Mobiliza ficarão sem nenhum deputado. No contexto da cláusula de barreira, a tendência é o enxugamento de partidos, com o crescimento das legendas grandes, fusões e novas federações.
As três maiores bancadas – PSD, PT e PL – além do União, estão recebendo novos parlamentares. Alguns deputados vão entrar, outros vão sair, mas o saldo para esses quatro partidos, até agora, foi positivo. Ainda há mudanças que vão acontecer. Mas, pelo momento, ficam do mesmo tamanho, nove partidos: o PP, o PV, o Republicanos, o MDB, o PDT, o PSB, o Novo, o PcdoB e o PSOL. Bella Gonçalves, única parlamentar do PSOL e candidata a deputada federal, estuda mudar de legenda.
Três partidos vão encolher: PSDB, Rede e Avante. Entre legendas que perdem deputados, Avante, além do PRD e Solidariedade, que estão federados, fizeram o que sempre fazem em todas as eleições. Os deputados federais Luís Tibé e Fred Costa, que comandam as siglas, convidaram os deputados a se retirar. Na matemática eleitoral desses dois montadores de chapa de legendas pequenas, não ter parlamentares concorrendo à reeleição atrai para as chapas candidatos que têm potencial eleitoral. Não tem ideologia alguma nesses movimentos. Fazem contas.
São mudanças confirmadas: João Magalhães, líder do Governo Zema na Assembleia deixa o MDB e se filia ao PSD. Para o PSD, migrarão os deputados estaduais Bosco e Raul Belém, ambos do Cidadania; Enes Cândido do Republicanos. Por outro lado, sai Adalclever Lopes, que se filiará ao PV.
A chapa proporcional do PSD, terá, até agora, 13 deputados estaduais concorrendo à reeleição, e ainda poderá crescer mais. Sem Magalhães, o MDB irá receber a deputada estadual Maria Clara Marra, que está no PSDB. O PT ganha a deputada Ana Paula Siqueira, da Rede. Para o PP deverá migrar o deputado estadual Doorgal Andrada (PRD). Federado ao PP, o União será o destino de Betinho Pinto Coelho (PV).
Também miram o União, mas ainda sem definição, o deputado estadual Professor Wendel (Solidariedade), além dos deputados Doutor Paulo e Roberto Andrade, ambos do PRD. Em meio à revoada, há parlamentares vagando em busca de uma sigla, como Arlen Santiago (Avante). Nestes tempos de cláusula de barreira, partidos políticos disponíveis e com chances eleitorais se tornaram uma espécie em extinção.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora