Em poucos dias, duas candidatas recebem por e-mail ameaças de morte em Minas
O caso mineiro repete 2023, quando três deputadas estaduais sofreram esses ataques. No Rio Grande do Norte, duas outras candidatas sofreram ataques semelhantes

Num intervalo de três dias, duas mulheres que concorrem em Minas à Câmara dos Deputados sofreram ameaças de estupro, morte e esquartejamento. Foram elas, a deputada estadual Bella Gonçalves e a estudante de direito Ana Elisa, que pela primeira vez disputam uma eleição. No mesmo período, outras duas candidatas do Rio Grande do Norte foram vítimas: a deputada federal Natalia Bonavides e a vereadora de Natal, Brisa Bracchi.
Os quatro casos têm características semelhantes. Os ataques são dirigidos por e-mail. Todas as quatro candidatas são do PT e concorrem para a representação de deputada federal. Ainda não se sabe se estão relacionados.
O método é similar àquele utilizado em 2023, contra as deputadas estaduais Lohanna França (PV), Beatriz Cerqueira (PT) e Bella Gonçalves (PT).
O agressor foi identificado em 2024 e preso em Olinda, à época por outros crimes. Ele utilizava fóruns na internet conhecidos como “chan”, voltados à incitação da violência contra a mulher. Há três meses esse agressor progrediu para o regime semiaberto com o uso de tornozeleira. A deputada estadual Lohanna adotou, desde julho, por decisão judicial, o chamado botão do pânico.
A política segue sendo um espaço hostil para a participação da mulher, numa sociedade que mantém uma cultura de poder masculino. A violência contra a mulher ocorre na política de duas formas. A primeira tem natureza moral e simbólica. A segunda forma são as ameaças de brutalização física e de morte.
Ao longo do tempo, o número proporcional de candidatas à Câmara dos Deputados cresceu de 6,2% em 1994 para 35% em 2026. Mas o número de eleitas evolui muito lentamente: em 2022 foram apenas 91 mulheres eleitas – quase 18% de um plenário federal de 513 cadeiras.
Em se tratando de representação feminina no Congresso Nacional, o Brasil segue, assim, na posição 130, entre 190 países acompanhados pela União Interparlamentar (UIP). Brasil está atrás de países de cultura islâmica como Arábia Saudita, Egito e Iraque.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


