Qual o motivo do impasse no Republicanos?
O senador Cleitinho tenta recuperar o apoio de seu partido para concorrer ao governo de Minas. É uma tarefa complexa e, neste momento, persiste a dúvida de terá sucesso ou se será mais um que cai neste caminho da sucessão mineira

O senador Cleitinho (Republicanos) quer ser candidato ao governo de Minas e foi dizer isso, em alto e bom som, na praça do Santuário, em Divinópolis. Cleitinho também anunciou que o vice de sua escolha é Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas.
O senador convocou a coletiva em praça pública, nesta quarta-feira, 29 de julho, à noite, depois que a direção do Republicanos divulgou nota pela manhã, anunciando que não lhe daria mais a legenda para disputar a sucessão estadual.
Cleitinho lidera as pesquisas de intenção de voto. Há mais de um ano, era pressionado pela legenda a se posicionar confirmando a candidatura. O senador respondia que se estivesse liderando as pesquisas de intenção de voto, iria concorrer.
Cleitinho marcou a data de 5 de agosto para anunciar a sua posição. Mas, neste sábado, 25 de julho, não compareceu à convenção do Republicanos. Nessa convenção, o Republicanos homologou as chapas para deputado e a coligação entre Republicanos, Federação União Progressista e Podemos, legendas controladas por Marcelo Aro, ex-secretário de Estado de Governo.
Cleitinho explica que não foi à convenção porque vive o luto pela morte do irmão caçula Matheus Augusto Azevedo, que aconteceu em 18 de julho. Também disse que apesar da ausência na convenção, havia informado à direção do Republicanos que será candidato ao governo de Minas, em carta enviada no domingo a Marcos Pereira, presidente nacional. Cleitinho e Falcão ainda tentam reverter a decisão do Republicanos nesta quinta-feira, 30 de julho. Não parece uma tarefa simples.
Ao perceber a demora de Cleitinho em anunciar a sua candidatura, Marcelo Aro, que em princípio seria candidato ao Senado pelo seu partido, o PP, passou a articular com as direções partidárias do Republicanos, do PL e da Federação União Progressista a união da “direita” em torno da candidatura dele, não mais ao Senado, mas ao governo de Minas. Aro convenceu esses partidos de que Cleitinho não seria candidato e que apoiaria a ele, Aro.
As direções nacionais do PL, Republicanos e da Federação União Brasil e PP fecharam acordo em torno de Aro. Cleitinho foi excluído. Também foram prejudicados os pré-candidatos do PL ao governo de Minas Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. O acordo prévio no PL era de que na hipótese de Cleitinho não concorrer, um deles seria o nome do partido para concorrer ao governo de Minas.
A articulação de Aro também atingiu em cheio o governador Mateus Simões, do PSD, que contava com a Federação União Progressista em sua campanha à reeleição, depois de Aro ter sido secretário em seu governo nos últimos quatro anos. O PSD de Mateus Simões diz que Aro usou a estrutura da administração para se fortalecer politicamente. Aro retruca que o PSD filiou o senador Carlos Viana à legenda, sem consulta-lo. Candidato à reeleição, Viana ameaçaria o desempenho de Aro na corrida ao Senado.
Quem traiu quem, segue a discussão. Até aqui, muitos corpos caíram pelo caminho. O União Brasil anunciou o desembarque do governo de Mateus Simões nesta quarta-feira, 29 de julho. Hoje será a vez do próprio PP de Marcelo Aro formalizar a saída.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


