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Minas se mantém como estado pêndulo e espelho do Brasil

Diferentemente de 2022, mineiros deram vitória a Flávio Bolsonaro. Resultados reiteram a alta correlação entre as estatísticas locais e nacionais. Eleito em primeiro turno ao governo de Minas, Cleitinho se consolida como nova liderança no estado, agregando votos do campo bolsonarista e lulista. Ele sinaliza um futuro governo que irá distensionar a polarização entre direita e esquerda, uma espécie de sincretismo político entre o lulismo e o bolsonarismo

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Eleição | CNN Brasil
Urna eletrônica • Créditos: CNN Brasil

Minas segue estado pêndulo e, refletindo os ânimos eleitorais do Brasil. Quatro anos depois de dar vitória a Lula, a chave virou: Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos e Lula 43,33%. mantendo a alta a correlação com os resultados nacionais, onde Flávio teve 47,03% e Lula 45,16%. No plano estadual Romeu Zema, que governou entre janeiro de 2019 e março de 2026, alcançou apenas 98.407 votos, 0,82% dos válidos em Minas, proporcionalmente só um pouco a mais do que teve no país, onde registrou 0,27%.

Eleito em primeiro turno, com 6.321.590 votos, 55,4% dos votos válidos, o senador Cleitinho (Republicanos) se consolida com uma nova liderança, que representa algo como um sincretismo entre pautas populares que beneficiam os mais pobres e uma postura de inclinação conservadora, mas não radical, em relação às pautas econômicas e de comportamento.

Embora tenha declarado voto em Flávio Bolsonaro, Cleitinho, não foi o candidato dele em Minas. Flávio Bolsonaro apoiou o empresário Flávio Roscoe, do PL, que obteve 795.193 mil votos, quase 7% dos válidos em sua estreia na política eleitoral. O candidato de Lula, Patrus Ananias (PT), obteve 3.006.088 votos, 26,34% dos votos válidos. Liderança muito respeitada da política mineira, Patrus uniu o campo da esquerda no estado, mas não conseguiu expandir o desempenho à direita. Ao centro político, o ex-prefeito de Belo Horizonte, que em 2022 obteve como candidato de Lula 3.805.182 votos caiu para 403.466, 3,54% dos votos válidos. Também ao centro, sem declarar apoio nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro e concorrendo pela primeira vez numa eleição ao governo do estado, o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB) conquistou 237.051 votos, 2,08% dos válidos.

Com a máquina na mão, o governador Mateus Simões (PSD), que sempre orbitou o bolsonarismo, ficou sem espaço eleitoral para crescer e sem tração política, já que Romeu Zema não conseguiu nem impulsionar a si mesmo no estado. A candidatura de Zema à Presidência da República inviabilizou uma composição do PSD de Minas com Flávio Bolsonaro. Mateus obteve 530.292 votos, 4,65% dos votos válidos, o pior desempenho na história eleitoral de um vice-governador que assumiu no prazo de desincompatibilização e concorre à reeleição. Em 2010, foi o caso de Antonio Anastasia, vice de Aécio Neves (PSDB), que deixou o governo para em março daquele ano para concorrer ao Senado Federal. Anastasia se elegeu no primeiro turno com 62,72% dos votos válidos. A política é a palavra que explica a diferença de resultados entre Anastasia, em 2010 e Mateus Simões, em 2026.

O primeiro, pela articulação política e liderança política de Aécio à época, escolheu o adversário e moldou a disputa no estado. Já o segundo teve problemas de defecção e inclusive no seio do próprio campo aliado: o ex-secretário de estado Marcelo Aro (PP), quem comandou a política sob Zema, abandonou Mateus Simões para tentar articular a própria candidatura ao governo de Minas, por discordar da filiação de Carlos Viana ao PSD.

Cleitinho conquistou em Minas 540 mil votos a mais do que Flávio Bolsonaro. As pesquisas indicavam que um quarto desse eleitorado também é eleitor de Lula. Em seu primeiro discurso despois de eleito, Cleitinho reiterou uma postura pacificadora: diferentemente de Romeu Zema, prega o distensionamento entre esquerda e direita. Vai focar os interesses de Minas primeiro, deixando pautas ideológicas para o segundo plano.

Para o Senado Federal, Minas Gerais apontou para um resultado de conciliação entre direita e esquerda: elegeu o deputado federal Domingos Sávio, do PL, com 4.968. 829 votos, 24,21% dos válidos e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, do PT, que conquistou 3.990.864 votos, 19,44% dos válidos. A direita se dividiu com o apoio de Nikolas Ferreira ao candidato do Novo, Marco Antônio Superman, que obteve 1.895.603 votos, 9,24% dos válidos. O senador Carlos Viana (PSD), que lutava pelo segundo voto bolsonarista, ficou em terceira posição, com 3.583.487 votos, 17,46% dos válidos. Marcelo Aro, que sem se viabilizar como candidato ao governo retomou o projeto de concorrer ao Senado, terminou a corrida em quinta posição, com 2.387.973 votos, 11,63% dos votos válidos, 362.400 a mais do que teve em 2022.

À frente de Aro, na quarta posição desta corrida que foi mais disputada do que a eleição ao governo de Minas, ficou Áurea Carolina (PSOL), com 2.664.763 votos, 12,98% dos válidos. O ex-governador Aécio Neves (PSDB), ensaiou o retorno à eleição majoritária, entrando de última hora na disputa ao Senado: teve 836.595 votos, 4,08% dos válidos.

Para o Congresso nacional, 37 dos 50 deputados federais que concorreram se reelegeram, uma taxa de sucesso de 74%. O destaque foi a votação de Nikolas Ferreira, que, com mais de 3 milhões e 100 mil votos, se tornou o parlamentar mais votado da história do país. Puxou, sozinho, cerca de 15 dos 21 deputados federais eleitos pelo PL, dez a mais do que o partido elegeu em 2022. No campo da esquerda foi a eleição da jovem estudante de direito, Ana Elisa, mulher negra, que aos 21 anos, obteve 524 mil votos. A Federação PT,PVePCdoB, que em 2022 elegeu 10, todos do PT, agora conquistou 13, dos quais 12 do PT e uma deputada do PV, Lohanna frança. Psol e Rede elegeram 2. Ao todo, a esquerda somará 15 cadeiras. Assim como no plano nacional, houve na bancada federal mineira um enxugamento partidário das legendas fora da polarização PL e esquerda, que conquistaram apenas 13 cadeiras.

 

 

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