A propaganda eleitoral de rádio e TV faz diferença?
Apesar da centralidade da comunicação deslocada para as redes sociais, o acesso ao tempo de propaganda é ainda, entre outros, um fator importante. Mateus Simões terá cerca de 30% da distribuição; Patrus Ananias, 21%; Flávio Roscoe, 19%; Cleitinho, 12%; Gabriel Azevedo, 9%; e Alexandre Kalil, 8%

Com boa parte da centralidade da comunicação deslocada para as redes sociais, muitos se perguntam: a propaganda política gratuita do rádio e da TV ainda é importante? É sim, muito importante. E aqui vão alguns motivos que explicam por que, na pré-campanha, partidos políticos moveram uma guerra de articulações brutais para ter em sua coligação a Federação União Progressista: com as duas maiores bancadas na Câmara dos Deputados, União e PP contribuem com 20% do tempo total distribuído entre as 11 candidaturas.
Entre mortos e feridos dessa disputa, o governador Mateus Simões, do PSD, atraiu para si essa federação e, por isso, terá 30% do bolo da propaganda. O deputado federal Patrus Ananias (PT), que conta com a Federação PT, PV,PCdoB, o PSB e a Federação Rede-Psol terá a fatia de 21% da propaganda. Flávio Roscoe, do PL, 19%. O senador Cleitinho, do Republicanos terá 12%. Gabriel Azevedo, do MDB conta com 9% da distribuição. E Alexandre Kalil, do PDT, coligado ao PSDB, terá 8% da propaganda.
Sem bancada na Câmara dos Deputados, cinco outros candidatos ao governo de Minas terão participação periférica: 90% do tempo é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais de cada coligação e 10% são repartidos por igual entre os 11 candidatos registrados que concorrem ao governo de Minas.A partir de 28 de agosto, portanto, na sexta-feira da próxima semana, a propaganda entrará no ar pelo rádio e televisão: para governador serão 9 minutos, em dois blocos, às segundas, quartas e sextas. Os 11 candidatos terão ainda, 14 minutos de inserções diárias.
Para o eleitor brasileiro que não está tão engajado com o debate político, o início dessa propaganda funciona como uma espécie de alarme: chegou o “tempo da política” – ou seja o tempo da escolha popular. Nesse momento o ambiente informacional fica mais complexo, pois o mesmo material exibido no rádio e na televisão é compartilhado nas redes e também vira assunto nas conversas e interações entre eleitores. É na primeira e última semana da propaganda eleitoral gratuito que há maior atenção do eleitorado. Por isso, após a primeira semana, as tendências da opinião pública tendem a começar a se desenhar nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas.
São múltiplos os fatores que levam à vitória de um candidato majoritário. O tempo de propaganda é um deles. Mas só ele não basta. Há também o carisma, a capacidade de conexão entre o candidato e as aspirações mais profundas do eleitor, o formato e o conteúdo exibido, a capacidade política de agregar apoios e, claro, o contexto da disputa.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


