É impossível não perceber o crescimento do Cruzeiro sob o comando de Pepa. E isso é fruto da simplicidade do treinador, que teve como ponto de partida fazer o básico. Primeiro, tentar contar com o que tem de mais qualidade. Depois, por colocar lateral para jogar de lateral, volante como volante, e atacante, no ataque.
A Raposa não integra a lista daqueles clubes que têm os melhores elencos do futebol brasileiro. Não frequenta a relação dos favoritos ao título. Mas o time poderia entregar muito mais do que o futebol confuso, inconsistente e frágil do Campeonato Mineiro.
Impressiona como a passagem de Paulo Pezzolano pela Toca da Raposa II é marcada pelo famoso 8 ou 80. No caso dele, foi o 80 ou 8, pois em 2022 o uruguaio apareceu como uma das novidades do futebol brasileiro conseguindo com um grupo limitado um grande desempenho na temporada.
Fez um Estadual acima das expectativas e uma Série B espetacular, conquistada com muita antecedência apesar de o elenco cruzeirense não ser o mais qualificado da competição.
O 2023 do treinador foi marcado pelo 8. Ele não soube trabalhar com a transição o grupo de jogadores, que deixou de ser de Série B e passou a ser de Série A. Sem estrelas, longe de ter peças que possam fazer da Raposa candidata a uma grande taça, mas com nomes que ocupam prateleiras diferentes no mercado do futebol brasileiro em comparação com o que ele tinha no ano passado.
Aí que entra o mérito de Pepa. O português chegou com um cenário assustador. O Cruzeiro integrava qualquer lista de candidatos ao rebaixamento na Série A. A torcida tinha perdido a confiança no time e o futuro era incerto.
O período sem jogos, pois o time celeste ficou de fora da decisão do Campeonato Mineiro e ainda teve a Data Fifa, foi bem aproveitado pelo comandante.
Não vamos num falar dos jogos contra Bragantino e Juventude, pois foram amistosos, com muitas substituições e qualquer análise de desempenho fica comprometida.
Mas nas duas primeiras partidas oficiais do Cruzeiro, contra Náutico, pela Copa do Brasil, e Corinthians, no retorno à Série A, mostraram que as coisas tinham mudado, embora o resultado não tenha vindo, pois o time celeste saiu de campo derrotado nas duas oportunidades.
Ficou evidente que Pepa estava conseguindo buscar mais dos principais reforços da temporada e além disso, recuperar peças importantes do ano passado que permaneceram, mas sem o mesmo rendimento.
A batalha celeste na Série A 2023 é dura. Mas a vitória de 1 a 0 sobre o Grêmio no último sábado (22), no Independência, foi fundamental. O Cruzeiro encerrou a sequência que já era de 12 jogos sem vencer uma equipe da elite do futebol brasileiro.
Além disso, o desempenho foi mais uma vez muito bom. O time de Pepa não venceu o Grêmio. Ele mereceu vencer o Grêmio. Esse é um ponto importante, mas o principal deles não entrou em campo.
O Cruzeiro mostrou que seu 12º jogador segue em forma. O que o torcedor fez no Independência teve participação decisiva na entrega da equipe em campo.
O destaque de Pepa na entrevista coletiva não foi chover no molhado, mais do mesmo. Ele sabe que esse é um ponto fundamental para que seu time possa fazer uma Série A que permita mais do que apenas brigar contra o rebaixamento.
Ano passado, o Cruzeiro era uma torcida que tinha um time. E ela colocou a equipe na Série A. Na temporada em que a permanência na elite é o desafio, o nível técnico é sem dúvida mais elevado, mas os comandados de Pepa também dependem da China Azul. E ela mostrou no último sábado que não perdeu a forma, nem o ritmo.