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Por que a cápsula Artemis II não vai pousar na Lua? Entenda

Primeiro voo tripulado rumo à vizinhança lunar desde 1972 teve início nesta quarta-feira (1°)

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Por que a cápsula Artemis II não vai pousar na Lua? Entenda
Viagem tem duração de 10 dias • NASA/John Kraus

A Nasa deu início, nesta quarta-feira (1º), à missão Artemis II, o primeiro voo tripulado rumo à lua desde 1972. Embora a expectativa pública pelo retorno ao solo lunar seja alta, esta etapa específica do programa não prevê um pouso. O motivo trata-se de um rigoroso voo de teste tripulado, projetado para validar todos os sistemas de suporte à vida e manobra antes que a missão Artemis III, prevista para os próximos anos, finalmente leve humanos de volta à superfície.

O roteiro da jornada e os testes em órbita

A viagem, com duração estimada de 10 dias, marca o retorno de seres humanos ao espaço após mais de meio século. Após o lançamento do foguete SLS no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a cápsula Orion e seu estágio superior passarão cerca de 24 horas em órbita terrestre. Este período é crucial para que os astronautas realizem checagens de segurança ainda nas proximidades do planeta.

Durante esta fase, a tripulação executará um teste inédito de pilotagem manual, manobrando a Orion perto de uma parte já descartada do foguete. Essa simulação é essencial para garantir que os astronautas consigam realizar acoplamentos complexos no futuro, como a conexão com a futura estação lunar Gateway.

Ao atingir a Lua, a Orion passará a uma altitude entre 6.400 e 9.600 quilômetros da superfície. Um dos momentos mais críticos e solitários ocorrerá quando a nave sobrevoar o lado oculto da Lua. Durante esse trecho, a tripulação ficará sem comunicação com o controle da missão na Terra por até 50 minutos, tempo que será dedicado a registros fotográficos e observações científicas detalhadas da superfície.

A Artemis II também está destinada a entrar para os livros de história pela distância percorrida. Ao contornar o satélite, a cápsula viajará cerca de 7.500 km além do lado oculto, superando o recorde de afastamento da Terra estabelecido pela lendária missão Apollo 13 em 1970.

Retorno

Diferente das missões do século passado, a Artemis II utiliza uma trajetória de retorno livre. Isso significa que, após contornar a Lua, a própria gravidade conduzirá a Orion de volta para casa, funcionando como um mecanismo de segurança que economiza combustível. No total, a espaçonave percorrerá mais de 2,2 milhões de quilômetros.

O desafio final será o retorno à atmosfera terrestre a impressionantes 40.000 km/h. Nessa velocidade, o escudo térmico precisará suportar temperaturas extremas de aproximadamente 3.000 °C. Após uma sequência coreografada de oito paraquedas para reduzir a velocidade, a cápsula deve realizar a amerissagem (pouso na água) no Oceano Pacífico, onde equipes de resgate da Nasa aguardarão para finalizar a missão.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde