Artemis II: o que revela a imagem inédita da Lua registrada por astronautas da Nasa
Foto capturada pela missão lunar mostra a misteriosa bacia oriental do satélite

A Lua foi vista como nunca antes por olhos humanos. Uma imagem inédita capturada por astronautas da missão Artemis II, da Nasa, revelou detalhes impressionantes de uma das regiões mais misteriosas do satélite natural: a chamada bacia oriental, localizada na face oculta.
O registro representa um marco não apenas visual, mas também científico. Pela primeira vez, uma tripulação humana conseguiu observar diretamente essa formação geológica, até então estudada apenas por sondas e missões não tripuladas.
A bordo da cápsula Orion, quatro astronautas estão realizando um voo histórico. Eles alcançaram a maior distância já percorrida por humanos rumo ao lado oculto da Lua, em uma jornada que também marca o primeiro voo tripulado além da órbita baixa da Terra em mais de 50 anos.
Imagem inédita da Lua
A fotografia divulgada mostra a bacial oriental em sua totalidade, algo que nunca havia sido possível devido à sua localização no extremo sudoeste da Lua, com grande parte situada na face oculta.
Durante a missão, os astronautas relataram ter visto cadeias de montanhas e crateras conhecidas, como Tycho e Copernicus. A visão, segundo eles, superou qualquer simulação feita em treinamentos.
"Tudo o que estudamos agora aparece em três dimensões e é ainda mais impressionante", descreveu um dos tripulantes. Eles também identificaram a estrutura em anéis da bacial oriental, formada por impactos antigos.
A astronauta Christina Koch destacou que observar a face oculta da Lua foi uma experiência única. Segundo ela, os padrões de luz e sombra são completamente diferentes dos vistos da Terra, o que confirma que a equipe está diante de um lado raramente explorado.
O que é a bacial oriental
A bacial oriental é uma das formações mais jovens e preservadas da superfície lunar. Ela surgiu há cerca de 3,8 bilhões de anos, durante o período conhecido como Bombardeio Intenso Tardio sistema solar, quando o sistema solar sofreu uma intensa chuva de asteroides e cometas.
O impacto que deu origem à região foi extremamente violento e acabou criando uma estrutura com múltiplos anéis concêntricos. O maior deles tem aproximadamente 950 quilômetros de diâmetro.
Cientistas estimam que a colisão lançou milhões de quilômetros cúbicos de material para o espaço, parte dele atingindo grandes altitudes antes de cair novamente e formar as estruturas circulares visíveis hoje. O estudo dessa área ajuda a entender não apenas a história da Lua, mas também a formação da Terra e de outros corpos celestes.
Missão entra em fase decisiva
Atualmente, a cápsula Orion já está mais próxima da Lua do que da Terra. A tripulação, formada por Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen, segue no quinto dia de missão.
Os astronautas relataram que a visão simultânea da Terra e da Lua é uma experiência rara e impactante. Em determinados momentos, a Terra aparece quase em eclipse, enquanto a Lua surge totalmente iluminada.
Nas próximas horas, a nave entrará na área onde a gravidade da Lua passa a predominar sobre a da Terra. Esse será um momento crucial da missão. A equipe também realizará testes com trajes espaciais e se preparará para o sobrevoo mais próximo da superfície lunar.
Durante essa etapa, a cápsula deve se aproximar a cerca de 7.600 quilômetros da Lua e ficará sem comunicação com a Terra por aproximadamente 40 minutos, enquanto atravessa a face oculta.
Próximos passos
O retorno à Terra está previsto para os próximos dias, com pouso no oceano próximo à costa da Califórnia (EUA). A missão já entrou para a história ao bater recordes de distância percorrida por humanos no espaço e ao reunir uma das tripulações mais diversas já enviadas à Lua.
Segundo a Nasa, o sucesso da Artemis II será fundamental para validar tecnologias e abrir caminho para uma presença humana contínua na Lua. Ainda de acordo com a agência espacial americana, o objetivo final também envolve preparar a humanidade para missões futuras até Marte.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



