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Pesquisadores da USP descobrem 45 novas toxinas em bactérias Salmonella

Ao todo, foram identificados 128 tipos de toxinas

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram 45 novas toxinas produzidas por bactérias do gênero Salmonella, grupo conhecido por abrigar espécies associadas a infecções alimentares. O estudo foi conduzido no Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (Cepid B3) e publicado na revista científica Plos Biology.

Segundo os cientistas, as substâncias atuam principalmente na competição entre microrganismos por espaço e nutrientes e podem, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de novos antibióticos e aplicações biotecnológicas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados genéticos de bactérias do gênero Salmonella e de seu Sistema de Secreção do Tipo VI (T6SS), mecanismo utilizado pelos microrganismos para injetar toxinas em células concorrentes. O levantamento utilizou ferramentas computacionais para examinar o material genético de 6.165 amostras de 149 diferentes sorovares da bactéria.

Ao todo, foram identificados 128 tipos de toxinas. Dessas, 45 apresentaram características inéditas ou muito diferentes das já conhecidas pela ciência.

De acordo com Robson Francisco de Souza, líder do grupo de bioinformática do Laboratório de Estrutura e Evolução de Proteínas do Cepid B3 e um dos autores do estudo, a descoberta evidencia a grande diversidade de toxinas bacterianas. “Novas variedades surgem ou se diferenciam radicalmente de variantes já conhecidas”, afirmou.

Os pesquisadores apontam que algumas dessas moléculas atuam diretamente contra outras bactérias, enquanto outras podem afetar organismos mais complexos, como fungos, algas e até células de mamíferos. Segundo Souza, ainda são necessários estudos adicionais para verificar se determinadas toxinas têm relação direta com infecções humanas.

O estudo também identificou que diferentes grupos de Salmonella possuem combinações próprias de toxinas, o que sugere adaptação às condições ambientais e às disputas por recursos. Para os cientistas, esse processo funciona como uma espécie de “corrida armamentista” biológica entre bactérias.

Os dados mostram ainda que cepas coletadas em ambientes naturais tendem a apresentar maior diversidade de toxinas do que aquelas isoladas de pacientes, indicando que ambientes com mais competidores favorecem o desenvolvimento de novos mecanismos de defesa e ataque.

Os pesquisadores avaliam que as descobertas podem ampliar o entendimento sobre as estratégias de sobrevivência bacteriana e abrir caminho para aplicações médicas e industriais ainda não previstas. O grupo também pretende expandir as análises para outras bactérias e arqueias, utilizando ferramentas computacionais desenvolvidas pela própria equipe.

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