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Fenômeno inédito: cometa surpreende cientistas e inverte rotação no espaço

Observação revela comportamento nunca antes registrado e pode mudar compreensão da astronomia sobre evolução desses corpos celestes

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Ilustração feita pela NASA que representa o cometa 41P.
Ilustração feita pela NASA que representa o cometa 41P. • Ilustração: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)

Um fenômeno considerado inédito na astronomia chamou a atenção da comunidade científica: um cometa foi observado invertendo o sentido de sua rotação no espaço. A descoberta, feita a partir de dados do telescópio espacial Hubble, da NASA, representa a primeira evidência direta desse tipo de comportamento em um corpo do Sistema Solar. 

O protagonista é o cometa chamado 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák, também conhecido apenas como 41P. O cometa é um objeto relativamente pequeno que orbita o Sol a cada 5,4 anos. Durante sua aproximação da estrela, os cientistas perceberam uma mudança drástica. 

Primeiro, a rotação do cometa desacelerou significativamente. Em seguida, o movimento praticamente parou e, logo depois, o corpo voltou a girar. Dessa vez, porém, no sentido oposto ao original. Essa inversão nunca havia sido registrada antes, o que torna o caso um marco para os estudos sobre dinâmica de cometas.

O que pode explicar a inversão?

A principal hipótese aponta para os jatos de gás liberados pela superfície do cometa. Quando o objeto se aproxima do Sol, o calor provoca a sublimação de materiais congelados, liberando gás e poeira.

Esses jatos funcionam como pequenos “propulsores naturais”, capazes de alterar o giro do núcleo. Em um corpo pequeno, como é o caso do 41P, com cerca de 1 km de diâmetro,  esse efeito pode ser suficiente para desacelerar e até inverter a rotação. 

Por que a descoberta é importante?

O fenômeno oferece novas pistas sobre a estrutura e o comportamento dos cometas, considerados remanescentes primitivos da formação do Sistema Solar. Segundo os pesquisadores, entender essas mudanças pode ajudar a responder questões como:

  • Como os cometas evoluem ao longo do tempo;
  • De que forma perdem massa e atividade;
  • E por que alguns se tornam menos ativos ou até se desintegram. 

O estudo aponta que, embora o cometa 41P orbite o Sol em sua trajetória atual há cerca de 1.500 anos, seu futuro parece incerto. A atividade geral do objeto diminuiu drasticamente: a produção de gás em 2017 foi dez vezes menor do que em 2001. 

Essa rápida evolução superficial e a força de torção causada pela nova rotação podem levar à fragmentação do núcleo, indicando que a rotação excessiva pode tornar o corpo estruturalmente instável.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.