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EUA proíbem robôs humanoides e inversores chineses para proteger segurança

Governo Trump restringe importação alegando riscos de espionagem cibernética e dependência tecnológica de Pequim

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Robô humanoide da AheadForm durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) em Xangai, em julho de 2026 • Hector Retamal / AFP

O governo do presidente Donald Trump anunciou, nessa terça-feira (28), novas restrições à importação de robôs e equipamentos de energia fabricados na China. A medida, emitida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), visa salvaguardar o avanço da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos e reduzir riscos à segurança nacional e infraestruturas críticas.

A nova regulamentação proíbe a entrada de novos modelos de robôs humanoides e quadrúpedes vindos da China, além de inversores de energia conectados — componentes essenciais na integração de baterias e fontes renováveis à rede elétrica e aos data centers, pilares fundamentais para o processamento de IA.

Segurança cibernética e soberania industrial

De acordo com o governo norte-americano, o objetivo central da medida é blindar a cadeia de suprimentos de tecnologia contra ataques cibernéticos, vazamento de dados e interrupções provocadas por Pequim, além de incentivar a repatriarão da manufatura tecnológica para o solo americano.

“Esses dispositivos poderiam criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos capazes de prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA, além de gerar riscos cibernéticos às nossas infraestruturas críticas”, declarou a FCC em nota oficial.

O presidente da comissão, Brendan Carr, reforçou que o órgão continuará atuando para proteger setores estratégicos dos EUA. Paralelamente, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, alertou que empresas de IA chinesas podem enfrentar sanções adicionais por acusações de roubo de propriedade intelectual.

Autoridades em Washington buscam evitar a repetição do cenário visto no setor de minerais de terras raras, insumos indispensáveis para a tecnologia moderna cujo controle global é amplamente dominado por Pequim.

Impacto em gigantes da tecnologia chinesa

A proibição atinge diretamente a Unitree, uma das principais fabricantes mundiais de robôs humanoides, responsável por quase 20% do mercado global do segmento. A empresa havia sido recentemente incluída pelo Departamento de Defesa dos EUA em uma lista de companhias vinculadas às Forças Armadas chinesas.

A restrição ocorre pouco tempo após a Unitree anunciar uma parceria com a americana Nvidia para adotar o processador de IA Blackwell como "cérebro" dos autômatos. Em resposta, a Nvidia garantiu que os dados coletados pelos robôs permanecem em território americano.

No setor de energia, a medida atinge gigantes como Sungrow e Huawei, líderes no fornecimento de inversores elétricos essenciais para alimentar os crescentes centros de dados de IA nos EUA.

Alcance da medida e próximos passos

As novas regras entram em vigor imediatamente e aplicam-se a modelos de robôs e inversores que ainda não estrearam no mercado norte-americano. No entanto, a FCC possui prerrogativa para revogar licenças de equipamentos já comercializados no país.

A expectativa de analistas é que a FCC conceda isenções a fornecedores de países aliados (não chineses), repetindo o modelo aplicado em restrições anteriores contra drones e roteadores estrangeiros.

Até o fechamento da reportagem, a embaixada da China em Washington e as empresas chinesas citadas não se pronunciaram sobre as decisões.

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