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Seu próximo melhor vendedor talvez não seja humano

Inteligência artificial está deixando de ser apenas uma atendente digital para se transformar em uma verdadeira força comercial

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robô inteligência artificial
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Durante muito tempo, as empresas enxergaram a inteligência artificial como uma ferramenta para reduzir custos, responder perguntas repetitivas e diminuir o volume de trabalho das equipes de atendimento. Mas uma notícia divulgada nesta semana mostra que essa fase já começou a ficar para trás. O dr.consulta informou que seus agentes de inteligência artificial já geram mais de R$ 1,2 milhão por mês, contribuíram para um crescimento de 60% nas vendas realizadas pelo WhatsApp e reduziram os custos operacionais do canal em 75%. A tecnologia trocou mais de 3 milhões de mensagens com 276 mil usuários e participou de aproximadamente 75 mil conversões.

Os números chamam atenção, mas o que realmente importa não é o caso isolado de uma empresa. É a mudança de função que está acontecendo silenciosamente dentro das organizações. A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma atendente digital para se transformar em uma verdadeira força comercial. Ela já consegue entender necessidades, consultar informações, recomendar produtos, recuperar clientes, acompanhar negociações e conduzir uma pessoa até a compra. O que antes era visto como um chatbot limitado começa a assumir características de um vendedor digital disponível durante toda a jornada do consumidor.

Existe uma diferença enorme entre automatizar respostas e construir uma inteligência capaz de gerar receita. O antigo chatbot recebia uma pergunta e procurava uma resposta dentro de um roteiro predefinido. O agente de IA recebe um objetivo, acessa dados, compreende o contexto da conversa e executa ações para alcançá-lo. Ele não apenas informa o preço de uma consulta. Pode-se entender o perfil do paciente, identificar a especialidade necessária, encontrar um horário, explicar as formas de pagamento, contornar uma dúvida e concluir o agendamento. Agentes de IA são sistemas criados para alcançar objetivos e executar tarefas em nome dos usuários, utilizando recursos como planejamento, memória e tomada de decisão.

É por isso que a próxima grande transformação comercial não será simplesmente trocar pessoas por máquinas. Será combinar profissionais humanos com milhares de trabalhadores digitais operando simultaneamente. Enquanto um vendedor consegue conduzir algumas conversas por vez, um agente pode atender uma quantidade muito maior de clientes, durante 24 horas, sem abandonar uma negociação porque o expediente terminou. Ele pode se lembrar de cada interação, conhecer o histórico do consumidor e retomar uma conversa exatamente do ponto em que ela parou.

Isso não significa que os melhores vendedores desaparecerão. Pelo contrário: relacionamento, confiança, criatividade, negociação complexa e leitura emocional continuarão sendo profundamente humanos. O que tende a desaparecer é uma parte considerável do trabalho comercial repetitivo, desorganizado e pouco inteligente. Procurar informações em diferentes sistemas, responder sempre às mesmas dúvidas, esquecer retornos, deixar oportunidades sem acompanhamento e abordar todos os consumidores da mesma maneira serão falhas cada vez menos aceitáveis.

O vendedor humano não estará competindo apenas contra uma inteligência artificial. Estará competindo contra outro vendedor humano equipado com dezenas de agentes trabalhando ao seu lado. Um profissional continuará construindo relações e tomando decisões estratégicas, enquanto suas inteligências digitais qualificam contatos, organizam dados, elaboram propostas, acompanham clientes e identificam o momento certo para uma nova abordagem. A produtividade dessa combinação será incomparavelmente maior.

Dentro das empresas, essa mudança também exigirá uma nova forma de gestão. Não será suficiente comprar uma ferramenta e conectá-la ao WhatsApp. Uma inteligência comercial precisa conhecer profundamente os produtos, os processos, as regras, os clientes e os objetivos da organização. Ela deve estar integrada aos sistemas, receber dados confiáveis, operar dentro de limites claros e ser acompanhada por profissionais experientes. Uma IA mal implantada pode automatizar exatamente os erros que a empresa já cometia, só que agora em uma escala muito maior.

Nos próximos anos, os organogramas provavelmente começarão a incluir uma nova categoria de integrante: o trabalhador digital. Ele não terá carteira assinada, mesa no escritório ou horário de almoço, mas terá função, metas, indicadores, responsabilidades e supervisão. Algumas empresas terão agentes especializados em prospecção; outras, em retenção, cobrança, recuperação de clientes ou recomendação de produtos. A área comercial deixará de ser formada apenas por pessoas e passará a funcionar como uma força híbrida de humanos e inteligências artificiais.

A notícia do dr.consulta não mostra apenas que uma empresa conseguiu vender mais pelo WhatsApp. Ela antecipa uma mudança muito maior: a inteligência artificial começou a deixar de ser contabilizada somente como economia e passou a ser medida pela receita que produz. Quando isso acontece, a discussão muda completamente. A pergunta deixa de ser quanto a IA pode reduzir da equipe e passa a ser quanto crescimento a empresa está deixando sobre a mesa por ainda não utilizá-la.

Talvez o melhor vendedor da sua empresa hoje ainda seja uma pessoa. Mas o seu próximo melhor vendedor pode não ter rosto, telefone pessoal ou comissão. Pode ser uma inteligência treinada com os dados, os processos e a experiência dos melhores profissionais da organização. E, quando isso acontecer, ela não substituirá apenas uma função. Ela mudará para sempre o significado de possuir uma equipe comercial.

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Henrique Borges, empreendedor, investidor e fundador da Somos Young, empresa brasileira líder no setor educacional e uma das referências no país na aplicação de inteligência artificial para jornadas de relacionamento, CRM, captação, atendimento e geração de receita. Com formação em Publicidade e Propaganda e pós-graduação em Inovação, Henrique atua no mercado digital desde 1999, liderando projetos de marketing, transformação digital, marketing direto e growth para grandes marcas e instituições, como Petrobras, Iveco, Mondaine, Minas Arena, Governo do Estado de Minas Gerais, GoPro, Airbnb e Canais Globosat, entre outros grandes players. À frente da Somos Young, construiu uma trajetória voltada à transformação de negócios por meio de tecnologia, dados, inteligência artificial e estratégia. A empresa atua em projetos para alguns dos principais grupos de educação do país, como Unifenas, Fumec, Uniube, PUCPR e Rede Claretiano. No futebol, Henrique lidera algumas das principais iniciativas de relacionamento com torcedores baseado em IA no Brasil, com projetos desenvolvidos para clubes como Cruzeiro, Corinthians, Vasco, Grêmio, Vitória, Bahia, Sport e Coritiba, entre outros. Henrique é reconhecido por defender uma visão prática e estratégica da inteligência artificial: não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova camada de inteligência capaz de transformar operações, ampliar receitas e redesenhar companhias inteiras por meio da tecnologia. Atualmente, também desenvolve iniciativas de conteúdo e autoridade sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, no trabalho e na sociedade, incluindo o podcast O Último Humano, disponível no Spotify.

 

 

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