Artemis II: astronautas registraram mais de 7 mil fotos durante a missão; entenda
Imagens devem fomentar estudos sobre crateras localizadas na Lua durante a viagem espacial de 10 dias

A missão Artemis II, da Nasa, registrou mais de sete mil fotos da superfície lunar durante o sobrevoo da Lua — a missão atingiu 406.700 quilômetros da Terra, a maior distância já alcançada por seres humanos em missão espacial. As imagens devem ampliar o entendimento sobre crateras, relevo e condições de iluminação no satélite natural do planeta, segundo a agência aeroespacial norte-americana.
Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, foram os escolhidos para participar da missão histórica a bordo do voo de teste da espaçonave Orion. A tripulação amerrissou na última sexta-feira (10), na costa de San Diego, nos Estados unidos.
Durante o sobrevoo lunar, realizado em 6 de abril, os astronautas capturaram imagens da superfície lunar e de um eclipse solar, quando a Lua bloqueou o Sol na perspectiva da Orion. As fotos incluem registros de crateras de impacto, antigos fluxos de lava, fraturas geológicas e variações de cor do terreno lunar, além de imagens do nascer e do pôr do sol na Lua, de acordo com a Nasa.
As imagens também mostram o chamado terminador lunar, a fronteira entre o dia e a noite, onde a luz solar em ângulo baixo projeta sombras longas sobre a superfície, criando condições semelhantes às da região do polo sul lunar, área considerada prioritária para futuras missões tripuladas.
Segundo a agência, o material fotográfico será utilizado para aprimorar estudos sobre crateras e a evolução geológica da Lua, além de ajudar na identificação de regiões de interesse científico e operacional para pousos futuros.
Durante a missão, a Orion realizou uma queima de motor que colocou a nave em trajetória rumo à Lua, permitindo a aproximação máxima de cerca de 6.547 quilômetros da superfície lunar. Além das fotos, os astronautas testaram sistemas de suporte à vida, controles manuais da espaçonave e procedimentos operacionais essenciais para futuras missões.

Relembre, dia a dia, como foi a missão:
- Dia 1
A tripulação foi lançada ao espaço no dia 1º de abril, às 18h35 (horário do leste dos EUA). Após a decolagem, a cápsula Orion deixou a órbita baixa da Terra e seguiu para uma órbita mais alta, iniciando a trajetória da missão. - Dia 2
A nave realizou a queima de injeção translunar, manobra que a colocou definitivamente na rota em direção à Lua. - Dia 3
Os astronautas testaram com sucesso os sistemas de comunicação utilizando a Rede de Espaço Profundo, fundamental para manter contato com a Terra durante a missão. - Dia 4
Já a dois terços do caminho até a Lua, a tripulação solucionou um problema técnico no sistema de banheiro da cápsula. No mesmo dia, também registrou imagens do satélite natural. - Dia 5
A Orion cruzou a chamada esfera de influência lunar, região em que a gravidade da Lua passa a exercer maior força do que a da Terra sobre a espaçonave. - Dia 6
Durante o sobrevoo lunar, os astronautas tiveram vistas inéditas do lado oculto da Lua e bateram o recorde de maior distância já alcançada por humanos no espaço. - Dia 7
A Nasa divulgou as primeiras imagens do lado oculto da Lua. A tripulação também realizou uma comunicação com astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional. - Dia 8
Em um momento de menor atividade, os astronautas participaram de uma coletiva de imprensa e responderam a perguntas de jornalistas. - Dia 9
A equipe dedicou o dia aos preparativos para o retorno, ajustando a trajetória da cápsula e verificando os sistemas para a viagem de volta à Terra. - Dia 10
A missão foi concluída com o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico, pouco depois das 21h (horário de Brasília). A reentrada ocorreu a cerca de 120 mil metros de altitude, com a nave atingindo velocidades superiores a 30 vezes a do som.
Com o retorno da tripulação em segurança, a Nasa agora se concentra na preparação da Artemis 3, que deverá avançar no objetivo de estabelecer uma presença humana contínua na Lua e servir de base para futuras missões a Marte.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



