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Lagoa da Pampulha tem 17 jacarés: especialista explica o que fazer se encontrar um deles

Mapeamento da PBH mostra que há quinze adultos e dois filhotes de jacaré em um dos principais cartões-postais da cidade; no início da semana, animal assustou pedestres que caminhavam pela pista da orla

Vídeo que mostra animal na orla da Pampulha em janeiro de 2025 viralizou nas redes sociais

Uma família com 17 jacarés vive em um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte: a Lagoa da Pampulha. O mapeamento é da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que tranquiliza os moradores: apesar de imponente, o jacaré não ataca se não for ameaçado. Nesta semana, um deles tomava sol tranquilamente na pista de caminhada quando assustou frequentadores da Pampulha e viralizou nas redes sociais.

Leonardo Maciel, gerente da secretaria, e sua equipe, monitoram os répteis desde 2018. Ele explica que são 15 adultos e dois filhotes.

“A espécie que habita a lagoa da Pampulha é o jacaré-do-papo-amarelo. Ele é considerado uma espécie de pequeno porte, em comparação com as outras que ocupam o Brasil, mas pode atingir em torno de dois metros. Trata-se de uma espécie que não oferece periculosidade para a espécie humana” explica. Segundo o especialista, a capital mineira não tem registro de acidentes envolvendo o animal. “Os acidentes acontecem quando as pessoas tentam conter, segurar ou interferir no animal”, explicou.

‘Rosnou para a gente’

Nessa segunda-feira (6), Michael Cangussu, de 31 anos, flagrou um deles caminhando na orla, enquanto passava pelo local com o irmão e um amigo. No vídeo, relata que o jacaré havia “rosnado”, o que caiu nas graças dos internautas. “Penso eu que [o ‘rosnado’] era uma maneira de se defender, por estarmos tão perto”, disse.

Leonardo Maciel explica que o som é “uma vocalização com movimentos de ar para dizer: afaste-se, não quero conflito.” Como bom habitante da orla, é comum que o bicho saia da lagoa para tomar Sol. “Eles buscam um local aquecido ou para fazer a postura dos ovos. E voltam rapidamente para o local de origem”, ensina.

O jacaré se alimenta de peixes, aves pequenas e ainda ajuda no controle do caramujo africano. “Também se alimenta do caramujo africano. Isso é muito importante para o equilíbrio ambiental, porque ao consumir o caramujo africano, o jacaré evita uma proliferação excessiva desse animal que pode transmitir doenças para as pessoas”, aponta.

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Vi um jacaré. O que devo fazer?

Quem tiver a sorte de encontrar um desses répteis pela Pampulha não precisa se assustar. Michael atenta: “A recomendação que temos é que, ao se avistar um animal, mantenha a distância, não interfira. Pode observar e fotografar, mas jamais tentar conter, segurar ou tocar o animal”.

Caso observe que o jacaré esteja em situação de risco, deve-se acionar a Guarda Municipal, o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar Ambiental.


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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.