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Ex-funcionário reabre Xico do Churrasco no bairro Caiçara e mantém tradição de décadas

Tradicional churrascaria de Belo Horizonte vende meia tonelada de asinha por mês; o Xico do Churrasco reuniu gerações entre 1985 e 2019

Uma tradição que mexe com o paladar e a memória afetiva de várias pessoas está de volta ao bairro Caiçara, região Nordeste de Belo Horizonte. É o Xico do Churrasco, ponto de encontro dos apreciadores de uma boa carne na brasa e da cerveja extremamente gelada. O Xico do Churrasco reuniu gerações entre 1985 e 2019. Depois de um breve fechamento, foi reaberto em dezembro de 2023 pelo churrasqueiro Gilson Pereira, de 45 anos, em sociedade com Rafael Rodrigues, de 29.

Gilson trabalhou com Franscisco, o ‘Xico’, fundador da churrascaria que faz parte da história do Caiçara, um dos mais tradicionais bairros da capital. Francisco morreu em agosto de 2022 mas, antes, autorizou o ex-funcionário a manter e usar o nome do estabelecimento. “Ele disse que não queria deixar o nome acabar”, lembra o churrasqueiro.

Xico Balaio

Gilson lembra que a história de Francisco, que saiu de Diamantina para estudar Agrimensura em BH, começou despretensiosa, em uma mercearia conhecida como Xico Balaio. “Surge na vida dele o Amorim, que trabalhava na Brahma. E foi o Amorim que deu essa ideia. Ele manda fazer os jogos de mesa e grava nas mesas o ‘CHX’ e fala: agora você não é Xico Balaio. Agora você é Xico do Churrasco. E é aí que começa essa mística toda em nome do Xico do Churrasco. De lá pra cá surgiram vários Xicos em Belo Horizonte”, explicou.

Tradição

“Conheci o Chico em 1994, na época de Copa do Mundo, e comecei a fazer alguns trabalhos para ele. O pessoal achava que tinha um segredo no tempero. Mas, na verdade, não existia segredo. Era uma coisa bem feita, que a gente vivia fazendo. Era mais o hábito que levava à perfeição, de o tempero ser sempre bom”, lembrou.

Gilson conta que mantém no cardápio cortes que ajudaram a criar a história da churrascaria, entre elas a asinha de frango com queijo provolone, o pão de alho, o frango com queijo, o coração e a picanha. No auge, a churrascaria chegou a ter três unidades, sendo duas delas na rua Francisco Bicalho, no Caiçara. É no número 2094 dessa rua, onde funcionou o ‘Xico 2', que Gilson e Rafael reabriram a churrascaria.

Meia tonelada de asinha

O churrasqueiro lembra que os clientes tiveram participação fundamental para o sucesso dos cortes, como a asinha. Mais de meia tonelada da iguaria é comercializada por mês!

“A asinha também foi sugestão de clientes. A asinha vinha seca, sem queijo e sem nada. E o provolone veio por cima dela na base do teste. Não era provolone. Era parmesão. Aí um cliente veio e sugeriu provolone” explicou. “E o pão de alho quem traz para Belo Horizonte é um cliente, que fez em casa, trouxe, deu certo, foi sendo aperfeiçoado e virou febre em Belo Horizonte. Hoje você encontra pão de alho até em depósito de material de construção”, brincou

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Memória

Gilson destaca que busca manter a tradição e explica que tentou fazer alterações na casa, mas recuou ao conversar com a clientela. “Quando a gente abre as portas, começa a ouvir histórias e tivemos o seguinte entendimento: o bar não é uma coisa de mercado, ele é feito de história. E a gente vem resgatando isso. A gente não vende só comida, vendemos momentos”.

Rafael Rodrigues, sócio da churrascaria, diz que não frequentou a antiga casa, mas ouve muitas histórias de clientes antigos. “A gente busca resgatar um pouco dessa história, do que foi o Chico, as receitas que marcaram, porque muita gente vem aqui para comer o frango com queijo e a asinha com queijo. Temos clientes ligando de Lagoa Santa, para querer saber se a gente podia preparar para ele buscar. O pessoal tem uma memória afetiva muito grande com esses pratos”.

Serviço

Xico do Churrasco:

Endereço: rua Francisco Bicalho, 2094, bairro Caiçara
Funcionamento: 3ª a 5ª - 16h a meia-noite/ sábados e domingos – a partir das 10h (com almoço).

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
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