Mineiros mortos em BMW tiveram intoxicação por monóxido de carbono, conclui PC

Informação foi confirmada pela Polícia Civil durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (12)

Vitimas eram de Paracatu, no norte de Minas

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou a hipótese de que a morte dos quatro mineiros dentro de uma BMW em Balneário Camboriú foi causada por intoxicação por monóxido de carbono. A informação foi confirmada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (12).

Foi constatado na perícia que as vítimas tinham sinais de asfixia e características de intoxicação por monóxido de carbono. O carro teria sofrido, pelo menos, três customizações que podem ter causado o vazamento de gás. Essas modificações tinham como objetivo dar mais potência e ruído ao veículo.

Essa era a hipótese da Polícia Civil desde o início das investigações. Foi identificado um vazamento entre o painel e o motor logo nas primeiras análises. O gás tóxico teria saído do ar-condicionado da BMW.

As modificações foram feitas em Belo Horizonte e em Aparecida de Goiânia. Segundo o delegado Vicente Soares, da Divisão de Investigação Criminal de Balneário Camboriú, uma delas foi feita logo no dia da compra do carro e as outras foram realizadas dias depois.

A modificação que pode ter causado o vazamento de gás foi a troca do escapamento por um ‘downpipe’, uma parte do sistema de escape que conecta a saída do turbo ao catalisador. Esse tipo de mudança serve para dar mais potência ao carro. Conforme o delegado, essa peça é feita de forma caseira pela oficina que realizou a troca.

“Foi realizada oitiva do proprietário dessa oficina, o qual relatou que eles constroem o downpipe na oficina. Ele não foi comprado em uma fábrica, como existem downpipe criados em indústrias. Era um downpipe, de certa forma, caseiro”, contou.

Os mecânicos que fizeram as modificações na BMW serão ouvidos pela PCSC. Eles podem responder por homicídio culposo.

Relembre o caso

Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24 anos, Karla Aparecida dos Santos, de 19, Nicolas Oliveira Kovalrski, de 16, e Tiago de Lima Ribeiro, de 21, foram encontrados mortos dentro de uma BMW por uma jovem, de 19 anos, namorada de Gustavo, no dia 1º de janeiro.

O grupo iria passar a virada do Ano-Novo em Balneário Camboriú. Os jovens teriam se mudado de Paracatu, em Minas Gerais, aproximadamente um mês antes da data do ocorrido, com a ideia de abrirem um negócio. A ida a rodoviária foi para buscar a namorada de Gustavo.

Em depoimento à polícia, a jovem contou que chegou por volta das 02:27 da madrugada do dia 1º de janeiro na rodoviária de Balneário Camboriú para aguardar o grupo retornar das comemorações de Ano-Novo. De acordo com ela, o namorado disse que o trânsito caótico que se formou na cidade dificultou o trajeto para chegarem no local.

Já na rodoviária, segundo a namorada de Gustavo, todos eles reclamaram de enjôo e tontura. O grupo relatou ter consumido um cachorro-quente na praia, sendo que Karla estava em situação pior e logo quando chegaram ela vomitou.

Por estarem se sentindo mal, os jovens optaram por continuar dentro do carro. A única sobrevivente da tragédia optou por ficar fora do veículo, já que se sentia bem, e se dirigiu à rodoviária.

A jovem voltou ao carro algumas vezes e, na última, iria incentivá-los a retornar à viagem, mas encontrou os quatro jovens mortos, com sinais de convulsão. Ela, então, pediu ajuda. Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e SAMU foram ao local.

O que é monóxido de carbono?

Monóxido de carbono, mais conhecido como gás carbônico, é um gás produzido na queima incompleta de material de combustíveis ricos em carbono. Esse gás é tóxico e pode levar a morte se foi inalado por muito tempo.

O primeiro sintoma, segundo o colunista, é o adormecimento. O gás pode causar, ainda, dores de cabeça, desmaios, sensação de confusão e náusea.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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