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Mulher que morreu durante retirada de DIU teve edema pulmonar, diz laudo

Caso aconteceu no dia 4 de novembro, em Matozinhos, na Grande BH; Médico que realizou o procedimento está preso por abuso sexual contra pacientes

Mulher morre ao retirar DIU

Jéssica Marques Vieira, de 32 anos, morreu durante procedimento para retirar DIU

Reprodução/ Redes sociais

A causa da morte da mulher que morreu durante a retirada de um dispositivo intrauterino (DIU) foi um edema pulmonar. A Itatiaia teve acesso ao laudo pericial Instituto Médico Legal (IML) de Matozinhos, na Grande BH, que não apontou a causa do acúmulo de líquido nos pulmões da vítima. O caso aconteceu no dia 4 de novembro.

Jéssica Marques Vieira, de 32 anos, foi retirar o DIU e morreu durante o procedimento. Roberto Márcio Martins de Oliveira, o médico cardiologista que realizou o procedimento, foi detido no dia 17 de novembro em Matozinhos. Mas, segundo a Polícia Civil, a prisão do cardiologista não é relacionada à morte da paciente, mas sim às denúncias sobre abuso sexual contra o profissional. Ele foi preso por conta de um inquérito de violação sexual mediante fraude. A investigação foi aberta em setembro, após uma paciente relatar ter sido abusada durante uma consulta de risco cirúrgico. Porém, após a morte de Jéssica, outras quatro mulheres procuraram a Polícia Civil para denunciar o médico.

A clínica onde foi realizada o procedimento foi interditada pela prefeitura da cidade, no dia 10 de novembro. De acordo com o município, foram encontradas divergências e irregularidades na unidade de saúde, o que motivou a interdição imediata da clínica.

Ainda segundo o município, a decisão foi tomada por uma equipe de fiscalização. Os agentes foram até a clínica e verificaram as estruturas físicas, os procedimentos e as atividades exercidas na unidade de saúde. Além das irregularidades, a prefeitura também encontrou uma contradição nos documentos da instituição e descobriu que a clínica não estava autorizada a realizar procedimentos ginecológicos.

Mais detalhes do caso

No sábado, dia 4 de novembro, Jéssica Marques Vieira, de 32 anos, foi até a Clínica Med Center, no centro de Matozinhos, na região metropolitana de BH, para retirar um dispositivo intrauterino (DIU). O pai e o companheiro dela a acompanhavam. O procedimento seria feito pelo médico cardiologista Roberto Márcio Martins de Oliveira e estava marcado para às 7h30. Duas horas depois, por volta das 9h30, ela ainda não tinha saído do consultório.

De acordo com o pai, ele percebeu que alguma coisa estava estranha quando viu a recepcionista entrando na sala com duas bolsas de soro e deixando o local assustada. Ao ser questionada, ela disse que não sabia de nada. Sem notícias, o pai percebeu “entra e sai de dentro do consultório”. Foi então que abordou outras duas mulheres a respeito do estado de saúde da filha. Uma delas disse, em baixo tom, que “a situação não tá boa não”.

Momentos depois, dois funcionários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade chegaram com um desfibrilador em mãos. Em seguida, a paciente foi levada para a unidade de saúde municipal.

Ao ser retirada do consultório para ser levada para a ambulância, o pai disse que Jéssica estava “mais pálida que o normal e com os lábios bem roxos”. Nesse momento, o pai percebeu que a filha já estava sem vida. O pai questionou o médico sobre o estado da filha. Ele teria negado que a jovem estivesse morta e disse que havia feito o procedimento de ressuscitação por 19 vezes.

O pai e o companheiro de Jéssica foram até a UPA para acompanhá-la, mas não conseguiram ter notícias. Por volta das 14h30, o rabecão chegou ao local e a morte foi confirmada pelo motorista do veículo que faria a remoção do corpo.

O médico cardiologista, que fez o procedimento, informou o falecimento e disse que o corpo seria levado para o Instituto Médico Legal (IML). O pai quis ver a filha e notou que o corpo já apresentava sinais de rigidez, por isso ele não acreditou que Jéssica tivesse morrido naquele instante. Ele acredita que a morte tenha ocorrido entre as 8h e 9h. A família denunciou o médico por erro médico.

Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
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