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Faustão aguarda transplante de coração: entenda como funciona a fila, os riscos e quais as condições para doação

Especialista explica as condições para doação do órgão e outros detalhes sobre a situação que enfrenta o apresentador, internado desde o início de agosto por insuficiência cardíaca

Nesse domingo (20), o apresentador Fausto Silva sofreu uma piora no quadro de insuficiência cardíaca, devido ao qual está internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde o início deste mês. Por isso, ele entrou na fila única de transplantes para um coração.

Antes dele, a equipe do cantor MC Marcinho também havia anunciado que o funkeiro estava à espera do mesmo órgão. Ele está internado no Hospital Copa D’Or em Copacabana, no Rio de Janeiro, desde o dia 27 de junho, após sofrer uma parada cardíaca. No dia 13 do mês passado, ele recebeu um implante de coração artificial, que é temporário, e aguarda o transplante.

Os casos dos dois artistas despertam curiosidade e dúvidas sobre como funciona o procedimento – um dos mais complexos da medicina –, os riscos e, especialmente, os critérios para a fila de espera. Para falar sobre o tema, a reportagem da Itatiaia conversou com Sílvio Amadeu Andrade, coordenador clínico do Programa de Transplantes Cardíacos da Santa Casa Belo Horizonte, que é referência no assunto. Em 2022, a instituição foi o segundo hospital que mais fez transplantes de coração no país. No total, foram 108 transplantes cardíacos de 2019 até este ano.

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Confira:

O que é transplante de coração?

Sílvio Amadeu Andrade: O transplante de coração é o procedimento em que um coração gravemente doente é substituído por um coração saudável. Esse coração é oriundo de um doador que teve morte encefálica. O transplante é necessário quando a doença cardíaca é grave, está avançada e já não responde mais a outras formas de tratamento, aos medicamentos, aos dispositivos, como, os marcapassos. E aí a opção é o transplante, quando o paciente tem condição de passar por um procedimento dessa magnitude. Há limites como a idade e outras doenças graves.

Como é feito o transplante de coração?

Sílvio Amadeu Andrade: O transplante de coração é um dos procedimentos mais complexos da medicina. É o procedimento onde o coração será totalmente substituído. Durante alguns minutos, o paciente fica sem nenhum coração, sem o coração antigo e sem o coração novo, que está sendo implantado. Nesse período, a circulação é mantida por meio de um equipamento chamado de ‘Máquina de Circulação Extracorpórea’.

O transplante é necessário quando a doença cardíaca é grave, está avançada e já não responde mais a outras formas de tratamento, aos medicamentos, aos dispositivos, como, os marcapassos. E aí a opção é o transplante, quando o paciente tem condição de passar por um procedimento dessa magnitude.

Quais são os riscos do procedimento?

Sílvio Amadeu Andrade: O risco do transplante é muito alto e só se justifica quando realmente a condição de saúde do paciente é grave, sem possibilidade de resposta aos outros tratamentos e se paciente tem condição de tolerar tudo isso. Os riscos são durante a cirurgia, como toda a cirurgia cardíaca, em que há risco considerável. No caso do transplante, esse risco é um pouco maior e, também, existem os riscos de complicações. Depois do procedimento, as complicações mais frequentes são episódios de rejeição que, na maioria das vezes, são contornáveis. Também há um risco aumentado de infecções simples e mais complexas. O paciente transplantado ele estará sempre com a imunidade um pouco reduzida pelos medicamentos que ele tem que tomar.

O transplante de coração é um dos procedimentos mais complexos da medicina. É o procedimento onde o coração será totalmente substituído. Durante alguns minutos, o paciente fica sem nenhum coração, sem o coração antigo e sem o coração novo, que está sendo implantado.

Como funciona a fila para receber um coração?

Sílvio Amadeu Andrade: A lista de espera é única, independe de o paciente estar no hospital público ou privado. São priorizados pacientes mais graves, com maior risco de vida. Esse critério é padronizado, sendo usado em quase todo o mundo.

Quanto tempo pode demorar?

Sílvio Amadeu Andrade: O tempo de espera na fila pode variar muito. Mas, normalmente, é de dias ou semanas. Tudo depende da oferta de órgãos, do aparecimento do doador e pacientes que não estão em caráter de prioridade. Há casos de pacientes que aguardam meses.

Qual o perfil dos doadores?

Sílvio Amadeu Andrade: Para o transplante de coração, só existe essa possibilidade de doadores cadavéricos, ou seja, aqueles que sofreram morte encefálica. O coração precisa estar saudável e em boas condições. Além disso, é preciso uma logística adequada, já que o tempo para a realização da cirurgia é curto: quatro horas desde a captação até o implante.

Como se tornar um doador?

Sílvio Amadeu Andrade: A doação só acontecerá se os familiares autorizarem. Por isso, é importante que as pessoas conversem sobre isso e que os interessados manifestem o seu desejo em relação à destinação dos órgãos. A gente sabe que é um momento de grande dor e pode ser um de grande alegria para várias pessoas que aguardam um transplante.

Formou em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
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