O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia à Justiça contra um policial civil pela
Segundo apuração da Promotoria de Justiça de Nova Lima, o denunciado foi conduzido à delegacia por suposto assédio sexual contra uma adolescente de 13 anos, em uma espeteria da cidade. Após a Polícia Militar (PM) confirmar a ocorrência de assédio, a reportagem foi até o local para noticiar o fato. O crime contra a dignidade sexual da mulher é combatido diariamente pelo jornalismo da Rádio Itatiaia.
Após ouvir a testemunha, o repórter da Itatiaia, fazendo seu trabalho, diante de policiais civis e militares, procurou o suspeito, que andava livremente pela delegacia, para que ele desse a versão do que teria acontecido. A entrevista acabou não acontecendo. O policial se envolveu em uma discussão do outro lado da rua. Nesse momento, o repórter começou a filmar a briga.
“Ao chegar ao local e filmar, com um aparelho de celular, uma confusão envolvendo o denunciado e familiares da pessoa que supostamente havia sido agredida anteriormente por ele, o jornalista teve ofendida sua integridade física pelo policial civil, que ainda invadiu o celular do repórter com o fim de destruir dados e informações armazenadas”, pontuou o MP.
Ao ver que estava sendo gravado, o policial atravessou a rua, foi até a porta da delegacia onde o repórter estava, tomou o equipamento das mãos dele, jogou no chão e entrou na unidade policial com o celular do repórter. Sem qualquer ajuda dos policiais civis e militares que estavam na delegacia, o jornalista foi atrás do homem em busca do celular e acabou agredido com um soco no estômago dentro da delegacia. O policial suspeito de assédio entrou para o banheiro com o celular do repórter e devolveu o aparelho somente após acessar os conteúdos particulares do jornalista.
O repórter, após ser agredido dentro de uma delegacia, só conseguiu registrar um boletim de ocorrência contra o policial depois de muita insistência. Mas a ocorrência foi feita pela Polícia Militar e não pelos policiais civis. Conforme fontes da Itatiaia, o policial já era investigado pela corregedoria por outras práticas de transgressão.
“O MPMG considerou incabível a propositura de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ao denunciado, tendo em vista a ausência de confissão integral, formal e circunstanciada pelo investigado; a prática de crime com violência; os maus antecedentes criminais demonstrados, bem como a alta censurabilidade da conduta do homem.
Além disso, foi solicitada a remessa da denúncia para a Corregedoria da Polícia Militar de Minas Gerais e para a Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais a fim de que seja apurada a aparente prevaricação de policiais, que, mesmo presenciando a prática dos crimes pelo denunciado, em frente à Delegacia de Polícia de Nova Lima, deixaram de adotar as providências cabíveis, inclusive de efetuar a prisão do agressor em flagrante”, finalizou a entidade.
(Com informações de Amanda Antunes)