Como ocorre há mais de uma década, o Angola Janga desfila no Carnaval de Belo Horizonte em um cortejo que une a euforia da festa com a memória das raízes negras que construíram o repertório da folia no Brasil.
Na Avenida Amazonas a um quarteirão do pirulito da Praça Sete, Hipercentro da capital mineira, o maior bloco afro da cidade ganha as ruas neste domingo (15) com o mote “organizar a alegoria, defender a festa”.
Consolidado como um dos blocos tradicionais da folia belo-horizontina, o tema do cortejo em 2026 ressalta a força da organização espontânea do Carnaval da capital mineira diante das proporções superlativas atingidas pelo evento nos últimos anos.
Neste ano, além da banda e dos ritmistas, o Angola Janga será reforçado pela companhia de dança Baobá, que formará o corpo de baile do desfile.
Fundado em 2015, o Angola Janga começou pequeno e atraindo um público espontâneo até chegar a marcas como a reunião de mais de 250 mil pessoas arrastadas ao som do axé pelo cortejo.
Além da festa em fevereiro, o bloco conta com cerca de 150 integrantes que atuam durante todo o ano com a oferta de atendimentos psicológicos, pedagógicos e jurídicos para a população negra da Grande BH.
Véronique, camaronesa de 33 anos que vive em Belo Horizonte há 13 anos, conta que veio ao bloco pela segunda vez. “É tudo de bom. Toda vez que tem Carnaval faço questão de fazer parte deste bloco, me sinto representada. É África, é Brasil”, comenta.
Carlos Eduardo Alexandrino, de 40 anos, é natural de Angola e também veio pela segunda vez no bloco. “É gratificante. Homenagear meu país é uma emoção muito grande”, conta.