Carnaval de BH 2026 cresce com blocos voltados à inclusão de pessoas com deficiência

Grupos criam espaços acessíveis; Todo Mundo Cabe no Mundo e Chega o Rei levam a pauta da diversidade às ruas

Participação de todos e todas e inclusão social é a missão do bloco Todo Mundo Cabe no Mundo

O Carnaval de Belo Horizonte cresceu nos últimos anos e passou a abraçar públicos cada vez mais diversos. Nesse renascimento da folia na capital mineira, a inclusão de pessoas com deficiência se tornou pauta de alguns blocos de rua, que trabalham para garantir que todos possam curtir o Carnaval.

Um dos exemplos é o bloco Todo Mundo Cabe no Mundo, que, como o próprio nome indica, é aberto a todas as pessoas. A cantora e produtora do bloco, Luísa Xavier, explica que a proposta é combater o preconceito e promover a convivência entre diferentes realidades.

“O Todo Mundo Cabe no Mundo é um bloco que abraça a causa do preconceito zero. Tem pessoas idosas, crianças, cadeirantes, pessoas com síndrome de Down, autismo e também pessoas cheias de imperfeições. É um espaço muito democrático e bonito para levantar reflexões sobre inclusão”, afirma.

Leia também:

Segundo ela, a ideia do bloco nasce também de uma vivência pessoal.

“Quando a gente fala ‘todo mundo’, é todo mundo mesmo. Meu pai é cadeirante e tem esclerose lateral amiotrófica há 20 anos. Eu tenho uma filha PCD. A gente tem deficiências explícitas e outras que todo mundo carrega. No fundo, está todo mundo se igualando”, completa.

O Todo Mundo Cabe no Mundo desfila no dia 15 de fevereiro. A concentração começa às 9h30, com saída prevista para 10h30, em frente ao Asa de Papel Café e Arte, na Rua Piauí, 631, no bairro Santa Efigênia. Os ensaios acontecem aos sábados, a partir das 10h, no mesmo local.

Outro exemplo de inclusão

Outro bloco que leva a inclusão como bandeira é o Chega o Rei, que homenageia o cantor Roberto Carlos e, neste ano, também as “rainhas” da música brasileira.

A produtora e regente da bateria, Carla Nadila, conta que o bloco nasceu em 2018, no bairro Alto dos Pinheiros.

Leia também

“Foi um encontro de amigos que tiveram a ideia de criar um bloco que homenageasse o rei Roberto Carlos. A gente conseguiu juntar as músicas dele com ritmos do carnaval, como ciranda, maracatu, samba-reggae e axé”, explica.Em 2026, além de Roberto Carlos, o bloco vai celebrar nomes como Gal Costa, Maria Bethânia, Marília Mendonça, Xuxa e Anitta.

Carla destaca que o Chega o Rei também investe em ações inclusivas.

“No ano passado, por meio de um edital, conseguimos oferecer oficinas para crianças e adolescentes PCDs e montar uma ala inclusiva no bloco. Hoje, temos pessoas com deficiências físicas e intelectuais participando ativamente”, afirma.O Chega o Rei realiza ensaio aberto neste domingo (25), a partir das 11h, no Bar do Paulinho, no bairro Califórnia.

O desfile acontece no dia 17 de fevereiro, com concentração às 11h, na Rua Frei Conceição Veloso, 145, no bairro Alto dos Pinheiros, e saída ao meio-dia.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

Ouvindo...