O Carnaval de Belo Horizonte cresceu nos últimos anos e passou a abraçar públicos cada vez mais diversos. Nesse renascimento da folia na capital mineira, a inclusão de pessoas com deficiência se tornou pauta de alguns blocos de rua, que trabalham para garantir que todos possam curtir o Carnaval.
Um dos exemplos é o bloco Todo Mundo Cabe no Mundo, que, como o próprio nome indica, é aberto a todas as pessoas. A cantora e produtora do bloco, Luísa Xavier, explica que a proposta é combater o preconceito e promover a convivência entre diferentes realidades.
“O Todo Mundo Cabe no Mundo é um bloco que abraça a causa do preconceito zero. Tem pessoas idosas, crianças, cadeirantes, pessoas com síndrome de Down, autismo e também pessoas cheias de imperfeições. É um espaço muito democrático e bonito para levantar reflexões sobre inclusão”, afirma.
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Segundo ela, a ideia do bloco nasce também de uma vivência pessoal.
“Quando a gente fala ‘todo mundo’, é todo mundo mesmo. Meu pai é cadeirante e tem esclerose lateral amiotrófica há 20 anos. Eu tenho uma filha PCD. A gente tem deficiências explícitas e outras que todo mundo carrega. No fundo, está todo mundo se igualando”, completa.
O Todo Mundo Cabe no Mundo desfila no dia 15 de fevereiro. A concentração começa às 9h30, com saída prevista para 10h30, em frente ao Asa de Papel Café e Arte, na Rua Piauí, 631, no bairro Santa Efigênia. Os ensaios acontecem aos sábados, a partir das 10h, no mesmo local.
Outro exemplo de inclusão
Outro bloco que leva a inclusão como bandeira é o Chega o Rei, que homenageia o cantor Roberto Carlos e, neste ano, também as “rainhas” da música brasileira.
A produtora e regente da bateria, Carla Nadila, conta que o bloco nasceu em 2018, no bairro Alto dos Pinheiros.
“Foi um encontro de amigos que tiveram a ideia de criar um bloco que homenageasse o rei Roberto Carlos. A gente conseguiu juntar as músicas dele com ritmos do carnaval, como ciranda, maracatu, samba-reggae e axé”, explica.Em 2026, além de Roberto Carlos, o bloco vai celebrar nomes como Gal Costa, Maria Bethânia, Marília Mendonça, Xuxa e Anitta.
Carla destaca que o Chega o Rei também investe em ações inclusivas.
“No ano passado, por meio de um edital, conseguimos oferecer oficinas para crianças e adolescentes PCDs e montar uma ala inclusiva no bloco. Hoje, temos pessoas com deficiências físicas e intelectuais participando ativamente”, afirma.O Chega o Rei realiza ensaio aberto neste domingo (25), a partir das 11h, no Bar do Paulinho, no bairro Califórnia.
O desfile acontece no dia 17 de fevereiro, com concentração às 11h, na Rua Frei Conceição Veloso, 145, no bairro Alto dos Pinheiros, e saída ao meio-dia.