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Violência contra a mulher: um destino que não deve ser aceito

Segundo dados, ao sofrer agressão, muitas mulheres não fazem a denúncia por medo de retaliação ou impunidade

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Ao ser violentada, cada mulher tem uma reação única. Essas reações devem ser encaradas como mecanismos de sobrevivência psicológica • Freepik

A violência doméstica contra as mulheres é uma manifestação complexa e multidimensional, que percorre classes sociais, idades e regiões. Entende-se como violência doméstica qualquer ação ou omissão baseada no gênero, que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

Ao ser violentada, cada mulher tem uma reação única. Essas reações devem ser encaradas como mecanismos de sobrevivência psicológica, que cada uma aciona de maneira diferente para suportar o evento. Muitas mulheres não consideram os maus-tratos a que são sujeitas, como espécie de violência doméstica.

Visão histórica e aspecto econômico

Historiadores discorrem sobre a origem, em que o fator cultural é a principal causa da violência doméstica. Ao longo da história, a mulher foi vista como submissa ao homem, onde seus papéis eram restritos a realização de tarefas domésticas, procriação, cuidar dos filhos e servir unicamente ao seu marido.

Outro fator que maximiza o entendimento errôneo de submissão da mulher ao homem é o aspecto econômico. O homem é que possuía o poder econômico da casa e o dever de sustentar a mulher e os filhos, logo ela se tornava dependente suportando muitos abusos já que não tinha outra forma de ganhar seu sustento e dos filhos.

O combate a violência não se restringe a tornar mais severas as medidas contra os agressores. A lei também estabelece medidas de assistência social como, por exemplo, a inclusão da mulher em situação de risco no cadastro de programas assistenciais dos governos federal, estadual e municipal. Também inclui informações básicas sobre o tema “violência contra a mulher” nos conteúdos escolares.

A violência doméstica deve deixar de ser vista como um destino que a mulher tem que aceitar passivamente. Toda mulher violentada, física ou moralmente, deve ter a coragem para denunciar o agressor, como uma forma de autoproteção, evitando inclusive futuras agressões. A denúncia também serve como exemplo para outras mulheres, pois enquanto houver a ocultação do crime sofrido, não vamos encontrar soluções para o problema.

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Cristiana Nepomuceno é bióloga, advogada, pós-graduada em Gestão Pública, mestre em Direito Ambiental. É autora e organizadora de livros e artigos.

 

 

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