Monitoramento da Defesa Civil não identificou tornado que atingiu o RS
Fenômeno causou feridos e danos em Giruá, e estava associado a uma supercélula, fenômeno que gera tempestades severas e tornados

Um tornado que atingiu pelo menos três cidades do Rio Grande do Sul, nesta terça-feira (28), não foi identificado pelo sistema de monitoramento da Defesa Civil estadual.
O Centro de Monitoramento da Defesa Civil informou que um alerta laranja para tempestade severa, com queda de granizo e rajadas de vento intensas, foi emitido para a região às 17h14, válido até as 20h10. Contudo, esse alerta foi sugerido com base no radar meteorológico de Chapecó, em Santa Catarina (SC), cidade que está a mais de 300 km de Giruá, município gaúcho onde o fenômeno foi registrado em vídeo por moradores.
A Defesa Civil confirmou, porém, que o radar estava a 200 km da tempestade, e o feixe mais baixo do equipamento operava a mais de 4,5 km de altura na área do tornado. Essa distância e altura impossibilitaram a identificação de rotação próxima à superfície, crucial para prever a ocorrência do fenômeno.
Em Giruá, município gaúcho mais atingido, quatro propriedades foram afetadas e quatro pessoas ficaram feridas, sem detalhes sobre o estado de saúde. A coordenadora municipal da Defesa Civil, Marieli Dalla Costa, afirmou que, na manhã desta quarta-feira (29), seria possível dimensionar melhor os estragos causados pelo fenômeno.
A corporação informou ainda que o tornado estava associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que possui uma corrente ascendente giratória. Elas normalmente causa granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, podendo resultar em tornados em alguns casos.
Tornado e supercélula
Os tornados são definidos como grandes redemoinhos de vento e colunas de ar que giram de forma violenta até tocar o chão. A categoria mais baixa, EF0, resulta em danos leves, com ventos que não superam 116 km/h. Já a categoria mais alta, EF5, pode registrar ventos que ultrapassam 500 km/h.
Para determinar a classificação, que varia de EF0 a EF5, a equipe especializada compara os estragos observados com 28 Indicadores de Danos (DIs) e Graus de Danos (DoD). O objetivo é atribuir uma categoria da Escala EF com base na maior velocidade do vento registrada no caminho da destruição.
De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, as supercélulas são a forma menos comum de tempestade. No entanto, elas têm uma alta propensão a produzir tempo severo, incluindo ventos fortes, chuva de granizo e, em alguns casos, tornados de intensidade fraca a violenta.
O que torna uma supercélula única em relação a todos os outros tipos de tempestade é o fato de conter uma corrente ascendente rotativa profunda e persistente, chamada mesociclone. Se o ambiente for favorável, as tempestades supercelulares podem durar várias horas.
De acordo com o Laboratório Nacional de Tempestades Severas da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a formação das supercélulas é ditada principalmente por aspectos que acontecem na escala das tempestades, dentro e ao redor do mesociclone.
Assim, os tornados podem se formar a partir de supercélulas, impulsionados pela presença de instabilidade na atmosfera, o que permite que o ar suba, elevação e cisalhamento do vento (ventos de diferentes alturas sopram em direções diferentes).
O cisalhamento do vento cria uma coluna de ar que gira horizontalmente dentro da nuvem de tempestade e, quando essa coluna toca o solo, passa a ser chamada de tornado.
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