TST condena varejista a pagar indenização de R$ 71 mil a vítima de assédio sexual em Goiás
Vítima afirma que relatou as investidas de funcionário da empresa ao setor de Recursos Humanos, mas foi desacreditada

Uma varejista do município de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, foi condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho a indenizar uma balconista vítima de assédio sexual na empresa. A empresa deverá pagar R$ 71 mil à funcionária por danos morais e rescisão indireta do contrato de trabalho.
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Conforme o processo, o assédio sexual iniciou quando a balconista iniciou um teste de trabalho na seção de açougue da varejista que duraria seis meses. Caso ela fosse promovida, iria receber um aumento salarial. A vítima contou, que assim que começou a trabalhar no local, um funcionário fazia elogios a aparência física dela e que, com o tempo, as investidas passaram a tentativas de beijos e contato físico forçado.
O Tribunal Superior do Trabalho informou que a empresa, ao saber da ação, afirmou que a vítima teria mentido descaradamente e que 'a balconista e o encarregado se paqueravam durante o horário de trabalho'. Além disso, a empresa alegou que a mulher ao ser reprovada pelo funcionário no teste para açougueira teria armado a situação de assédio sexual.
Em primeira instância, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região de Goiás excluiu a condenação feita pela 18ª Vara do Trabalho de Goiânia que pedia uma indenização de R$ 30 mil. Na ocasião, foi considerado que a vítima não teria comprovado que as investidas do funcionário eram indesejadas e repelidas.
A mulher recorreu, e em segunda instância, o ministro Agra Belmonte, relator do recurso, considerou que ela conseguiu comprovar que foi vítima de assédio sexual e que a empresa corroborou para a 'manutenção de um ambiente de trabalho desequilibrado'. Para o magistrado, a suposta relação consensual entre a vítima e o funcionário da empresa acontece, em muitos casos, pelo medo, pela falta de opção ou por colocar o emprego em risco. "O fato de ter tido consensualidade até certo ponto não quer dizer que esta prossiga no tempo. Pode ser que seja um não a partir dali”, pontuou.
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento



