Homem é preso suspeito de induzir web-namorada adolescente a gravar o nome dele na pele
Além de indução ou instigação à automutilação, o suspeito, um jovem de 20 anos, também pode responder pelos crimes de estupro, ameaça e tortura

Um homem de 20 anos foi preso preventivamente nesta sexta-feira (11), na cidade de Penha, no litoral de Santa Catarina, suspeito de cometer uma série de crimes contra uma adolescente de 17 anos, moradora da cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná.
Segundo a Polícia Civil do estado (PCPR), o investigado e a vítima tinham um relacionamento amoroso e haviam se conhecido pela internet. Tempo depois, o homem começou a submeter a adolescente a ameaças, chantagens e situações de violência psicológica, incluindo indução à automutilação.
A prisão do suspeito foi realizada nas primeiras horas da manhã por equipes da PCPR, após uma investigação iniciada a partir da denúncia feita pela adolescente. De acordo com a delegada Luciana Novaes, a jovem procurou a polícia no início do ano e conseguiu uma medida protetiva contra o suspeito. Mesmo assim, ele teria voltado a entrar em contato com ela por meio de plataformas digitais.
Confira momento em que suspeito é preso
Homem é preso suspeito de induzir web-namorada adolescente a gravar o nome dele na pele
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🎥Divulgação | PCPR pic.twitter.com/2LjdCaHZ9l— Itatiaia (@itatiaia) September 11, 2026
Relacionamento pela internet e ameaças
Conforme a investigação, a adolescente iniciou um relacionamento virtual com o homem em dezembro de 2025. Eles teriam se conhecido por meio de uma plataforma de comunicação online. Com o passar do tempo, segundo a PCPR, o investigado começou a pedir imagens íntimas da adolescente. Depois de obter o material, ele teria utilizado as fotografias para ameaçá-la e chantageá-la, buscando controlar o comportamento da vítima.
A polícia afirma que o homem também dava ordens para que a adolescente praticasse atos de automutilação e registrasse as lesões em imagens. Segundo a delegada Luciana Novaes, responsável pela investigação, ele chegou a exigir que ela gravasse na própria pele, usando uma lâmina, o nome ou apelido utilizado por ele nas redes sociais. Para a polícia, as condutas indicam uma tentativa de exercer controle e dominação psicológica sobre a adolescente.
"Ela enviou fotos íntimas para este rapaz, fotos das lesões também. Ele fazia com que ela escrevesse o 'nickname' dele próximo às lesões. Então, ele realmente conseguia manipulá-la. Com certeza induzindo muito medo sob ameaças de divulgação das imagens íntimas dela. Isso é o que fazia com que ela se auto lesionasse e continuasse reencaminhando imagens para ele", afirmou a delegada.
Confira imagem

Suspeito teria descumprido medida protetiva
Depois de denunciar o caso, a adolescente solicitou medidas protetivas de urgência contra o suspeito. Porém, mesmo informado sobre a determinação, o homem teria voltado a procurar a vítima por plataformas digitais.
Segundo Luciana Novaes, o investigado chegou a acessar a conta da adolescente e a restabelecer contato com ela por meio do X, antigo Twitter. A polícia avalia que a conduta também pode configurar perseguição, conhecida como stalking, praticada no ambiente digital. A prisão preventiva foi cumprida justamente após a investigação identificar o descumprimento da medida protetiva por parte do suspeito. “Mesmo sabendo que tinha uma medida protetiva, que ele não poderia mais ter acesso a ela, ele a buscou e, mais ainda, acessou a conta dela mesmo na plataforma digital”, afirmou a delegada.
Suspeito pode responder por vários crimes
A PCPR identificou, até o momento, suspeitas relacionadas aos crimes de estupro, ameaça, indução ou instigação à automutilação e tortura. As autoridades também apontaram possíveis crimes relacionados à discriminação por raça ou cor e maus-tratos a animais. A investigação ainda tenta descobrir se outras jovens podem ter sido vítimas do homem.
Durante a operação, os policiais cumpriram mandados de busca no endereço do investigado e apreenderam aparelhos eletrônicos e HDs externos. O material será submetido à perícia e poderá fornecer novas informações sobre a atuação do suspeito e possíveis vítimas.
Ainda de acordo com a delegada Luciana Novaes, a chamada “pegada digital” analisada pelos investigadores aponta para um comportamento de controle e intimidação, embora o homem não tenha, segundo a apuração apresentada pela polícia, mantido contato físico com a adolescente. Ainda segundo a autoridade policial, ele teria utilizado, inclusive, imagens de tortura contra animais para provocar medo na vítima.
Se condenado por todos os crimes, o jovem pode receber uma pena alta. Segundo a delegada, ele pode ter que cumprir mais de 18 anos de prisão. O homem foi encaminhado ao sistema penitenciário de Santa Catarina, onde permanece à disposição da Justiça. A PCPR informou que as investigações continuam, principalmente com a análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos, para identificar novos elementos e verificar a existência de outras possíveis vítimas.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



