Tempo: entenda fenômeno 'supercélula' que atingiu o RS no último fim de semana
Supercélula é o tipo mais severo e altamente organizado de tempestade; condição meteorológica foi registrada em Alegrete no sábado (26)

Uma cena impressionante voltou a colocar a meteorologia do Sul do Brasil em destaque: uma supercélula, uma das formações de nuvens mais organizadas e perigosas da natureza, foi registrada na zona rural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, no último fim de semana.
O registro foi feito por um grupo de "caçadores de tempestades" formado pelos pesquisadores e entusiastas Gabriel Zaparolli, Mike Plemmons e Rafael Santana.
Em vídeos gravados pelo trio, no sábado (26), publicado pela CNN Brasil, a estrutura da tempestade se destaca no horizonte com camadas bem definidas e contornos que lembram um disco giratório.
Tempo: entenda fenômeno 'supercélula' que atingiu o RS no último fim de semana
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Apesar do aspecto visual que muitos associam a "cenas de filme", a supercélula é um fenômeno bem documentado na ciência. Entenda mais sobre a condição meteorológica:
O que é uma supercélula?
Uma supercélula é o tipo mais severo e altamente organizado de tempestade, caracterizada por abrigar um mesociclone — uma profunda e contínua corrente de ar ascendente em rotação no seu interior.
Por conta dessa estrutura persistente, elas costumam gerar os eventos meteorológicos mais extremos, como ventos destrutivos, precipitação de granizo gigante, chuvas torrenciais e tornados.
Quando observadas do solo, as intensas correntes de sucção e a rotação interna moldam a base da nuvem em um formato espiralado e denso, frequentemente comparado ao formato de uma nave espacial escura varrendo a paisagem.
Diferente das tempestades comuns, que são breves e se dissipam rapidamente, as supercélulas podem durar várias horas, dominar o clima de uma região por mais de 30 quilômetros de distância e até mesmo se desviar da direção dos ventos predominantes da atmosfera local.
Quais os riscos associados?
Segundo alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a supercélula é a categoria de tempestade mais propensa a provocar fenômenos destrutivos. Entre os principais riscos estão:
- Tornados: por possuir rotação interna sustentada, a supercélula é a principal "mãe" dos tornados.
- Granizo de grande porte: a forte corrente de ar ascendente consegue manter pedras de gelo suspensas por mais tempo, fazendo com que cresçam antes de cair.
- Ventos fortes e microexplosões: rajadas intensas de vento podem causar destelhamentos e queda de árvores.
- Longa duração: ao contrário de pancadas de chuva convencionais que se dissipam em 30 a 60 minutos, uma supercélula pode se manter ativa por várias horas enquanto se desloca pelo território.
Monitoramento constante no Sul do Brasil
A região Sul do país — especialmente o Rio Grande do Sul — é conhecida geograficamente por ser um ponto de encontro entre massas de ar quente e úmido vindas do Norte/Centro-Oeste e massas de ar frio vindas do Sul do continente.
Esse choque térmico e dinâmico cria o ambiente perfeito para o surgimento de tempestades severas e supercélulas durante os meses de primavera e transição climática.
O trabalho de registros em campo, como o realizado por Zaparolli, Plemmons e Santana, auxilia especialistas a compreender melhor o comportamento desses sistemas extremados no país, além de servir de alerta preventivo para populações no caminho das tempestades.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



