Polícia Federal prende no RS coronel uruguaio condenado por tortura e morte de italianos em ditadura militar
Pedro Antonio Mato Narbondo foi condenado pela Justiça da Itália à prisão perpétua, convertida pelo STJ em 30 anos por não haver esse tipo de pena no Brasil; condenado optou pela nacionalidade brasileira nos anos 2000

O uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo foi preso pela Polícia Federal (PF) em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (26). Ele é condenado pela Justiça da Itália por sequestro, tortura e morte de quatro cidadãos italianos durante a ditadura militar no Uruguai.
A prisão de Narbondo foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última quarta-feira (21), que homologou a sentença para cumprimento de pena no Brasil, já que ele é naturalizado e vive no país.
É a primeira vez que um agente de um regime ditatorial cumprirá pena de prisão por violação de direitos cometida durante a ditadura militar no Brasil.
A decisão do STJ, que segue parecer do Ministério Público Federal (MPF), também determina a conversão da prisão perpétua aplicada pela Corte de Apelação de Milão para 30 anos de prisão, já que não há esse tipo de prisão no país.
De acordo com a Polícia Federal, Narbondo, depois de ser localizado, foi submetido aos procedimentos legais e encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. Conhecido como "El Burro", Pedro Antonio Mato Narbondo nasceu no Uruguai e optou pela nacionalidade brasileira nos anos 2000. Com isso, ele não pode ser extraditado para cumprir pena na Itália.
Na década de 1970, Narbondo atuava como oficial do Serviço de Informações de Defesa (SID), órgão de repressão política da ditadura militar uruguaia.
Desde março deste ano, ele utilizava tornozeleira eletrônica, por determinação judicial a pedido do Ministério Público Federal (MPF), e estava proibido de deixar Santana do Livramento para evitar risco de fuga.
Segundo o MPF, os homicídios pelos quais Narbondo foi condenado aconteceram durante a Operação Condor, articulação entre serviços de inteligência de países da América do Sul, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, para perseguir opositores políticos.
A operação envolvia práticas como sequestros, transferências de pessoas entre países, desaparecimentos forçados e eliminação de adversários dos regimes de exceção. Entre os militares ligados ao Serviço de Informações de Defesa (SID), apenas Pedro Antonio Mato Narbondo permanecia em liberdade.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



