Homem é sequestrado e ameaçado por videochamada feita de dentro de presídio
O caso é um dos investigados pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na Operação Dâmocles, deflagrada nesta segunda-feira (7)

Um homem foi sequestrado dentro da própria casa, levado para outro local e obrigado a atender uma videochamada feita por um criminoso que estava dentro de um presídio. Durante a ligação, ele recebeu ameaças para quitar uma dívida contraída com um agiota.
O caso é um dos investigados pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul na Operação Dâmocles, deflagrada nesta segunda-feira (7), em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A operação resultou na prisão de oito suspeitos de integrar grupos criminosos que, segundo a investigação, realizavam cobranças de empréstimos por meio de sequestros, agressões e outras formas de violência, de acordo com o g1.
Outro episódio investigado envolve uma família que teria sido expulsa da própria residência por criminosos. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos colocaram um cadeado no portão e informaram que, a partir daquele momento, o imóvel "pertencia à facção", informou.
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão preventiva e uma prisão em flagrante. Cerca de 60 agentes da Polícia Civil, Brigada Militar e Guarda Municipal participaram da operação.
Segundo a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, em entrevista ao g1, as investigações começaram após vítimas procurarem a delegacia relatando ameaças e violência durante a cobrança de dívidas.
"As vítimas chegavam apavoradas e desesperadas. Elas haviam recorrido a empréstimos com agiotas e, depois, passaram a sofrer cobranças extremamente violentas. A investigação mostrou que existiam grupos criminosos organizados responsáveis tanto pelos empréstimos quanto pelas cobranças", afirmou.
A operação reúne três inquéritos policiais diferentes. Embora envolvam grupos distintos, a polícia afirma que todos utilizavam métodos semelhantes para intimidar pessoas que não conseguiam pagar as dívidas.
Segundo a investigação, muitos dos empréstimos eram oferecidos pelo Marketplace do Facebook. As vítimas, geralmente endividadas e sem acesso ao crédito em instituições financeiras, recorriam aos agiotas em busca de dinheiro rápido.
Em um dos casos investigados, um empréstimo de R$ 50 mil passou a ser cobrado em R$ 200 mil.
Ainda segundo a delegada, o maior risco desse tipo de empréstimo vai além dos juros abusivos.
"Quando a pessoa não consegue pagar, ela passa a pagar com a própria vida. Eles ameaçam familiares, vão armados até as casas das vítimas e espalham medo. Tivemos uma mulher que precisou ser socorrida pelos policiais porque estava prestes a tirar a própria vida diante das ameaças", declarou.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e analisar o material apreendido durante a operação.
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