Autoridades descrevem 'cenário de guerra' após tornado devastar cidades no Rio Grande do Sul
Em todo o território gaúcho, temporais já afetaram mais de 140 cidades, com desabrigados, desalojados e centenas de casas danificadas; previsão alerta trégua nas chuvas

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul divulgou um balanço com dados sobre os estragos causados pelas chuvas que vêm atingindo o estado. Nessa terça-feira (28), a passagem de um tornado atingiu as cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste gaúcho. O fenômeno, provocado por uma supercélula (tempestade com correntes ascendentes giratórias), deixou um cenário comparado por autoridades a uma "zona de guerra".
De acordo com o balanço, quatro pessoas ficaram feridas e dez famílias precisaram deixar suas casas devido ao tornado. Três residências foram completamente destruídas na divisa entre os municípios atingidos. Em Giruá, o impacto foi particularmente severo, com casas, galpões e garagens sofrendo danos estruturais graves.
O sistema de monitoramento não conseguiu identificar a rotação do tornado em tempo real porque o radar meteorológico mais próximo, em Chapecó (SC), estava a mais de 300 km de distância e operando em uma altura que impossibilitou a detecção de ventos próximos à superfície. Veja imagens do tornado:
Tornado devasta Giruá-RS; há feridos e casas danificadas
🎥 Reprodução | CNN Brasil
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Chuvas no RS
Além do tornado, chuvas intensas e granizo castigaram diversas regiões do estado, elevando drasticamente o número de afetados em todo o território gaúcho. Segundo os dados mais recentes do Centro de Operações da Defesa Civil (CODEC), o estado contabiliza 149 pessoas desalojadas e um total de 5 feridos em decorrência dos eventos climáticos da última semana.
A destruição de residências é expressiva em múltiplos municípios:
- Santo Antônio das Missões: Cerca de 400 residências foram danificadas por fortes chuvas de granizo.
- Osório: Relatou danos em 350 residências, além de estabelecimentos comerciais.
- Não-Me-Toque: Registrou 200 residências atingidas e 30 pessoas desalojadas.
- Ubiratama: Estimativas preliminares indicam que 80% das casas do município foram afetadas por granizo.
- Ijuí: Contabilizou 75 casas danificadas pela chuva de pedra.
A infraestrutura rodoviária também sofreu impactos severos. Na manhã dessa terça-feira (28), 14 rodovias gaúchas apresentavam bloqueios totais ou parciais devido a alagamentos, queda de barreiras ou danos estruturais em pontes. Entre as cidades com interrupções críticas no tráfego estiveram Agudo, Muçum, Venâncio Aires e Cotiporã.
Previsão para o RS
A previsão para o restante da semana indica que a chuva perderá força em grande parte do Rio Grande do Sul, embora o risco hidrológico permaneça alto. Em Porto Alegre, esta quarta-feira (29) ainda terá pancadas de chuva (acumulado de 50.1mm), mas o tempo deve firmar à noite. Para quinta (30) e sexta (31), a previsão é de sol com muitas nuvens, sem expectativa de chuva volumosa na capital do estado.
No entanto, a Defesa Civil mantém o alerta para os níveis dos rios, que continuam subindo. Há risco muito alto de inundação para os rios Gravataí, Taquari, Caí, Sinos e Jacuí. O nível do Guaíba, em Porto Alegre, registrou 1,45m na tarde desta quarta-feira (29), ainda abaixo da cota de inundação de 2,60m, mas com tendência de elevação.
Destruição em 2024
A atual crise climática ocorre em um estado que ainda tenta se recuperar da catástrofe sem precedentes registrada em abril e maio de 2024. Naquele ano, as chuvas atingiram 478 municípios (95% do estado), afetando diretamente 2,4 milhões de pessoas e deixando um saldo trágico de 178 mortos e mais de 388 mil desalojados.
A magnitude da destruição em 2024 foi devastadora para a economia, com perdas de capital estimadas entre R$ 60 e R$ 75 bilhões. A comparação com o cenário atual preocupa autoridades e moradores da região já que, somente em julho de 2026, Porto Alegre já registrou 373 mm de chuva, o que representa 276% da média normal para o mês.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



