Cirurgião plástico vira réu por série de crimes contra sete pacientes em Porto Alegre
Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e médico será investigado por estelionato, concussão, falsidade ideológica e injúria racial; pelo menos outros 30 casos seguem em análise

A Justiça do Rio Grande do Sul tornou réu o cirurgião plástico Leandro Fuchs. O médico será investigado pelos crimes de estelionato, concussão, falsidade ideológica e injúria racial em um processo que envolve sete pacientes atendidos no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Estado (MPRS) e recebida pela 11ª Vara Criminal do Foro Central da capital gaúcha. O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre a atuação profissional do médico.
Segundo o MPRS, a ação penal reúne sete inquéritos policiais e inclui agravantes de abuso de poder e continuidade delitiva em parte dos delitos. O Ministério Público sustenta que o médico teria obtido vantagem indevida, induzido pacientes ao erro e inserido informações falsas em documentos médicos, além de responder por injúria racial praticada contra uma das vítimas.
A investigação teve origem em uma série de denúncias registradas por pacientes do hospital. Em dezembro de 2024, a Polícia Civil indiciou Leandro Fuchs e outros 12 médicos, entre residentes e ex-residentes, após o registro de ocorrências envolvendo 87 supostas vítimas, 84 mulheres e três homens, que relataram falhas e complicações em procedimentos cirúrgicos.
De acordo com o Ministério Público, além dos sete casos que já resultaram em ação penal, pelo menos outros 30 inquéritos relacionados ao médico foram distribuídos e ainda estão em análise. As vítimas estão sendo acompanhadas pela Central de Atendimento às Vítimas e Familiares de Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, em Porto Alegre.
As acusações incluem estelionato, por suposta cobrança indevida de valores; concussão, por obtenção de vantagem indevida na condição de funcionário público por equiparação; falsidade ideológica, por suposta inserção de dados falsos em documentos; e injúria racial em um dos episódios investigados.
Pronunciamentos
A defesa de Leandro Fuchs informou que as investigações e a ação penal tramitam sob sigilo de Justiça e, por isso, não comentará o mérito das acusações. Em nota divulgada à imprensa, os advogados afirmaram que a inocência do médico será demonstrada ao longo da instrução processual e destacaram que ele exerce a medicina há mais de 30 anos "sempre pautando sua conduta pelo Código de Ética Médica e pela legislação vigente".
O Hospital Ernesto Dornelles informou que o médico foi afastado da instituição em janeiro de 2024 e que atualmente não integra mais o corpo clínico do hospital. Também ressaltou que eventuais sindicâncias e processos éticos tramitam em sigilo, conforme prevê a legislação profissional.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



