PC indicia membros da mesma família pela morte de quatro pessoas após cobrança de dívida no Paraná
Com inquérito concluído, autoridades apontam que vítimas foram surpreendidas por uma emboscadas e mortas a tiros em Icaraíma; quatro investigados estão presos preventivamente

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu o inquérito que investigou a morte de quatro homens, motivada por cobrança de dívidas, em 5 de agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma. Quatro investigados, que estão presos preventivamente, foram indiciados pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, associação criminosa e fraude processual.
As vítimas foram identificadas como Alencar Gonçalves de Souza Giron, de 36 anos; Diego Henrique Afonso, 39; Rafael Juliano Marascalchi, 43; e Robishley Hirnani de Oliveira, 53. Segundo divulgado pela PCPR, os quatro homens foram atraídos até uma propriedade rural para tratar de uma dívida relacionada ao desfazimento de um negócio imobiliário. O valor totalizado é de R$ 255 mil, representado por dez notas promissórias.
No local, as vítimas foram surpreendidas por uma emboscada e mortas com disparos de armas de fogo de diferentes calibres. Após os homicídios, os corpos e o veículo utilizado pelas vítimas foram ocultados. De acordo com o delegado Thiago Andrade Inácio, foram identificadas ações que teriam sido realizadas para eliminar vestígios e dificultar o trabalho policial.
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Os envolvidos são quatro homens, todos membros da mesma família. Três deles foram presos no dia 18 de agosto deste ano, em diferentes municípios do interior de São Paulo. O quarto investigado já estava preso, pelo crime de tráfico de drogas, e teve o mandado de prisão cumprido no sistema penitenciário.
Cobrança de dívida e desaparecimento
Ainda segundo a investigação, Alencar Gonçalves de Souza Giron solicitou os s serviços de Rafael, Robishley e Diego Henrique para auxiliá-lo na cobrança de uma dívida de R$ 255 mil referente à venda de uma propriedade rural, em agosto de 2024, para a família envolvida nos crimes.
À época, o delegado Gabriel Menezes informou que a propriedade foi escriturada e chegou a ser transferida para um membro dessa família, no dia 5 de agosto de 2024. Ele afirma que, passado um ano, ainda não teria ocorrido o pagamento do valor acordado, que seriam em 10 parcelas de R$ 25 mil.
No dia 4 de agosto de 2025, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso saíram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar a dívida.
Em Icaraíma, eles encontraram Alencar, que teria encomendado o serviço e seria o mediador da cobrança. Após o sumiço e falta de contato com os familiares, os homens foram dados como desaparecidos.
O carro utilizado pelas dívidas foi encontrado em 12 de setembro, em uma área de mata do município de Icaraíma. O veículo, que estava coberto por uma lona, passou por perícia e foi apreendido. Segundo a Polícia Civil, o carro estava enterrado em uma espécie de bunker.
A Polícia Militar Ambiental relatou que agentes notaram uma irregularidade no terreno durante um patrulhamento. Os policiais decidiram escavar o local e localizaram uma lona, que cobria a lataria de uma caminhonete branca. Marcas de disparo de arma de fogo e vestígios de sangue na lataria e no interior do carro foram identificadas.

Somente após 44 dias do desaparecimento das vítimas, os corpos delas foram encontrados em uma vala na cidade de Icaraíma, na madrugada de 19 de setembro de 2025. A localização aconteceu em uma área rural de Icaraíma. De acordo com a Polícia Civil, os corpos apresentavam marcas de perfurações de arma de fogo. Na mesma vala, estavam pertences dos homens.
Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público para análise. As investigações, no entanto, continuam para apurar a possível participação de outras pessoas nos homicídios, incluindo suspeitos de envolvimento na execução, no apoio logístico e na ocultação de vestígios.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



