O período de transição entre o fim de um ano e o início do outro, marcado pelo intenso movimento do comércio e das celebrações, acende um sinal de alerta para a segurança nas estradas brasileiras. O aumento na circulação de mercadorias, impulsionado pelas vendas de Natal e pelo e-commerce, é acompanhado por um crescimento estatístico nos casos de roubos e furtos de carga.
O Sudeste foi a região recordista em prejuízos envolvendo roubo de carga, com 84% dos crimes em 2025. “O pessoal não olha cor nem raça, se você tem família... já chega botando o terror e faz acontecer mesmo. Não é agradável, a gente não fica psicologicamente bem”, relatou o caminhoneiro Adriano Menezes.
Henrique Johnny, outro profissional do setor, afirmou que o tema é pauta comum entre colegas: “A galera vem reclamando bastante. Um amigo meu foi roubado um tempo atrás, levaram o caminhão dele. Isso é normal [infelizmente]”.
Alerta
Especialistas em segurança no transporte indicam que os meses de dezembro, janeiro e fevereiro são os mais críticos. Antônio das Graças de Paula, coordenador do grupo técnico de prevenção do SETCEMG (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais), explica que a fragmentação das cargas — comum no comércio eletrônico — facilita a ação de criminosos. “Com esse aumento das compras e as cargas fracionadas, o volume aumenta muito e a criminalidade também cresce demais”.
Dados da empresa de segurança privada Corpus revelam um cenário preocupante sobre a localização desses crimes:
- Concentração regional: atualmente, 84% dos roubos de carga do país ocorrem no Sudeste, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro.
- Nordeste: região aparece em segundo lugar, com 11% das ocorrências.
- Zonas urbanas: Ao contrário do senso comum, o perigo não está apenas nas rodovias isoladas. Cerca de 60% a 70% dos roubos acontecem em regiões metropolitanas e zonas urbanas.
Produtos mais visados
As quadrilhas escolhem seus alvos pelo valor agregado e pela facilidade de revenda no mercado ilegal. De acordo com Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpus, o ranking das cargas mais visadas é liderado por:
- Alimentos e Bebidas.
- Cargas fracionadas do E-commerce.
- Eletroeletrônicos (celulares, TVs e itens de informática).
As abordagens costumam ocorrer de duas formas principais: o bloqueio da via, forçando a parada do caminhão, ou a abordagem direta ao motorista em postos de combustível enquanto ele está estacionado.
Enquanto projetos de lei e novas tecnologias de monitoramento tentam frear o avanço da criminalidade, o caminhoneiro brasileiro inicia 2026 dependendo, sobretudo, da prevenção e do estado constante de vigilância para garantir que a carga — e a sua vida — cheguem ao destino final.