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Soldada que matou mulher em abordagem em SP não usava câmera corporal

A policial feminina alega que disparo foi legítima defesa após ser agredida pela moradora. Marido da vítima denuncia excesso por parte da PM

Por e 
'Por que você atirou nela', questiona PM após soldada matar mulher durante abordagem em SP
'Por que você atirou nela', questiona PM após soldada matar mulher durante abordagem em SP • Foto: Reprodução

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu uma investigação para saber por que a soldado Yasmin Cursino Ferreira não estava utilizando uma câmera corporal quando atirou e matou Thawanna da Silva Salmázio, na última sexta-feira (3), no bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste. Novas gravações da câmera corporal de um policial militar revelaram o momento em que a PM é questionada pelo policial sobre o motivo de ter tido essa atitude durante a abordagem.

As imagens registradas pelo militar, além de vídeos feitos pela população, foram anexadas aos inquéritos. Laudos periciais e depoimentos também vão compor o conjunto de provas que vai servir para entender a dinâmica exata da ocorrência. Agora, o caso é investigado em dois inquéritos. A morte da mulher é apurada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas.

Os policiais e o marido de Thawanna, Luciano Gonçalves, têm versões diferentes sobre o que aconteceu durante a abordagem. Conforme o Ministério Público de São Paulo, os policiais que atuaram na ocorrência foram transferidos para funções administrativas até a conclusão das investigações.

Naquele dia, enquanto a viatura da PM passava pela rua, o retrovisor atingiu o braço do marido de Thawanna, Luciano Gonçalves. Em seguida, o policial questiona: “A rua é lugar para você estar andando, cara****?”. Logo depois, Luciano responde: “Ô Steve”, gíria usada por policiais ao se referirem a outro colega da PM.

Momentos depois, Yasmin desce da viatura. Nesse instante, é possível ouvir quando Thawanna diz para a policial não apontar o dedo para ela. Segundos depois, ouve-se o disparo.

A versão do marido de Thawanna

O marido alega que os policiais quase atingiram o casal com a viatura, que transitava em alta velocidade pela comunidade. Segundo ele, a esposa teria se irritado com a atitude e xingado os policiais, que pararam a viatura. Luciano diz que uma policial desceu do veículo e disparou contra Thawanna.

No boletim de ocorrência, ele diz que a esposa sofria de crise de ansiedade e não faz nenhuma menção a que ela tenha agredido a policial. Luciano reclama da demora para socorrer a esposa, que ficou caída na rua. Posteriormente, ela foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Tiradentes.

Polícia alega que Thawanna deu um tapa no rosta da soldado

A Polícia Militar tem uma outra versão e diz que Luciano e Thawanna apresentavam comportamento alterado e pareciam estar discutindo no meio da rua. Os militares alegam que Luciano bateu o braço no retrovisor da viatura que fazia patrulhamento, o que fez com que os PMs parassem o veículo.

Durante a abordagem, na versão da PM, o casal, com sinais de embriaguez, teria se negado a cumprir ordens dos militares. A PM alega que Thawanna partiu para cima de uma policial feminina, que tentou se afastar e fugir dos tapas que eram desferidos contra ela. Em um dado momento, os policiais alegam que Thawanna teria dado um tapa no rosto da policial, que reagiu e a baleou.

A Itatiaia teve acesso a imagens que mostram Thawanna da Silva agonizando no chão após ser baleada. Sobre essa situação e a alegação de demora no socorro por parte do marido da mulher, os militares dizem que solicitaram o serviço de resgate por diversas vezes.

Morte de Thawanna gerou revolta e protesto de moradores

Os moradores fizeram barricadas com entulho, bloquearam ruas e atearam fogo em pedaços de madeira e pneus em ao menos cinco pontos da comunidade. Segundo a PM, os populares pararam um ônibus e tentaram incendiar o veículo durante a manifestação. Em alguns momentos, os moradores entraram em confronto com os policiais.

Para controlar a situação, mais de cem militares foram mobilizados, incluindo o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Baep). A PM divulgou comunicados para veículos de imprensa e pediu que os moradores evitassem circular nas ruas durante a operação dos batalhões especializados. Os Bombeiros também foram acionados para conter as chamas provocadas pelos moradores. As forças de segurança não divulgaram informações sobre feridos durante o confronto.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.