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Operação Narco Fluxo: Justiça aceita habeas corpus de MC Ryan SP e artista deve ser solto

Informação foi confirmada pelo advogado do cantor na manhã desta quinta-feira (23)

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MC Ryan SP é conduzido para a PF após polícia constatar restrições em veículo | CNN Brasil
MC Ryan SP é conduzido para a PF após polícia constatar restrições em veículo | CNN Brasil • Créditos: CNN Brasil

O Superior Tribunal de Justiça aceitou o pedido de habeas corpus de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, preso durante a operação Narco Fluxo da Polícia Federal contra uma organização criminosa de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 1,6 bilhão.

A informação foi confirmada pelo advogado do artista na manhã desta quinta-feira (23). O habeas corpus considera ilegal a prisão temporária de 30 dias porque a própria Polícia Federal tinha solicitado prisão de apenas cinco dias, prazo que já passou. Com isso, MC Ryan SP deve ser solto.

Veja o que diz a defesa de Ryan:

"O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados informa que, em razão de Habeas Corpus impetrado pela defesa, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão liminar reconhecendo a ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo, determinando as providências necessárias ao imediato restabelecimento da liberdade.

A consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente da própria decisão ao ser reconhecido o erro no prazo da prisão temporária."

Preso na PF

Até o último sábado (18), o MC Ryan Sp estava preso na carceragem da sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. O funkeiro está preso desde a última quarta feira (15), quando foi detido em Riviera de São Lourenço, Bertioga, no litoral de São Paulo.

Segundo a investigação, ele e outras figuras famosas ligadas ao ramo de entretenimento e música, integravam um esquema voltado a lavagem de dinheiro. Além disso, alguns dos investigados possuíam algum tipo de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Papel de MC Ryan SP

A Polícia Federal apontou que Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, é o líder da organização criminosa que movimentou cerca de R$ 260 bilhões.

Segundo as investigações, o artista seria o principal beneficiário econômico da estrutura e teria usado empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

As apurações apontam que Ryan teria usado mecanismos de blindagem patrimonial ao transferir participações societárias para familiares e os chamados "laranjas". A PF constatou que as ferramentas eram utilizadas com o objetivo de distanciar o capital da pessoa física do cantor.

Ainda de acordo com a investigação, os valores, depois de serem processados pelas operadoras, eram convertidos em imóveis de luxo, veículos de alto padrão, joias e outros ativos de valor. O principal operador do grupo é apontado como Rodrigo Morgado, que se autointitula como "contador" e foi preso na "Operação Narco Bet", mesma operação que prendeu o influenciador "Buzeira".

Outra pessoa citada é Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei e um dos maiores criadores de conteúdo sobre famosos do Brasil. Segundo a PF, ele seria o grande operador de mídia da organização, ao receber valores para divulgar conteúdos dos artistas e na promoção de plataformas de apostas e rifas.

Escudo de conformidade

O esquema atuava sob o que os investigadores chamam de "escudo de conformidade", que foi definido pela projeção artísitca e o alto engajamento dos envolvidos.O fator seria determinante para naturalizar as movimentações financeiras, o que, de acordo com as investigações, serviria para mascarar recursos vindos do tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais como receitas legítimas do setor artístico.

Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, é apontado como um elemento central no papel de projeção pública. Os apuradores detalham que a base de seguidores do artista era usada para dar aparência de legalidade ao patrimônio e suavizar alertas de fiscalização.

Conexão com PCC

As informações colhidas nas investigações ainda apontam para uma possível conexão do esquema de lavagem de dinheiro com o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país.

O elo entre os dois mundos é apontado como Frank Magrini, indicado como operador financeiro da organização. Segundo as apurações, há indícios de que Magrini teria financiado o começo da carreira de Ryan, em 2014, e que a relação envolvia o pagamento de "mensalidades" sistemáticas por locais comerciais do grupo.

Mecanismos do esquema

Três eixos principais foram identificados nas investigações para ocultar a origem do dinheiro: pulverização, dissimulação e interposição de terceiros.

Pulverização: comercialização de ingressos, pordutos e ativos digitais para inserir recursos sem lastro econômico comprovado;

Dissimulação: uso de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie e múltiplas transações entre contas para dificultar o rastreamento;

Interposição de terceiros: utilização de operadores logísticos, familiares, e o "aluguel de CPFs" (laranjas) para ocultar os reais beneficiários.

*Com informações de Vitor Bonets e Rafael Saldanha, da CNN Brasil

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

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