Morte de advogado carioca em SP pode ter relação com golpe do 'Boa noite, Cinderela'
Polícia Civil investiga a morte de Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida na zona oeste da capital paulista; transações bancárias após o crime reforçam a suspeita de latrocínio

A Polícia Civil de São Paulo investiga se o advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, foi vítima do golpe conhecido como "Boa noite, Cinderela" antes de ser encontrado morto na madrugada da última sexta-feira (10), na zona oeste da capital paulista. Segundo o advogado da família, Marcelo Martins Ferreira, essa é a principal linha de investigação adotada pelos policiais. A suspeita é de que a vítima tenha sido dopada e que a quantidade da substância utilizada tenha provocado sua morte.
"A principal hipótese é o 'Boa noite, Cinderela', e quem fez isso provavelmente exagerou na dose a ponto de acontecer essa fatalidade", afirmou Ferreira ao Estadão. Além da suspeita de envenenamento, a investigação apura duas movimentações financeiras realizadas nas contas da vítima após o crime. De acordo com o advogado, uma compra de R$ 20 para cigarros e cerveja foi concluída no centro de São Paulo, enquanto uma tentativa de transferência de R$ 9,8 mil acabou bloqueada pelo aplicativo bancário. As operações teriam ocorrido na madrugada de domingo (12).
Para a defesa da família, os indícios apontam para um caso de latrocínio — roubo seguido de morte. O caso foi registrado como morte suspeita no 14º Distrito Policial, em Pinheiros. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar a causa da morte.
Últimos momentos
Natural do Rio de Janeiro, Pedro estava em São Paulo na semana passada. Na noite de quinta-feira (9), ele saiu com um amigo para assistir a uma partida da Copa do Mundo em um bar na Vila Madalena. Segundo o boletim de ocorrência, por volta de 0h30 de sexta-feira (10), os dois deixaram o local em um carro por aplicativo com destino a Moema, na zona sul, onde o amigo desembarcou. A corrida foi encerrada às 0h48.
A combinação era que Pedro solicitasse outro veículo para seguir até o hotel onde estava hospedado, na Vila Olímpia. No entanto, o amigo afirmou não saber se ele realmente deixou o carro ou permaneceu com a motorista. De acordo com o advogado da família, a condutora teria retornado com Pedro para a região da Vila Madalena.
Testemunhas relataram que o advogado passou mal e se deitou na calçada da Rua Fradique Coutinho, próximo ao cruzamento com a Rua Aspicuelta. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas e encontraram a vítima com pupilas dilatadas, sinais de vômito e sem marcas aparentes de violência. Pedro morreu ainda no local.
Segundo Marcelo Ferreira, há um intervalo de cerca de duas horas entre a ida de Pedro a Moema e seu retorno à Vila Madalena, período considerado fundamental para a investigação. A suspeita é de que o golpe tenha ocorrido após ele voltar à região.
Identificação
Pedro foi encontrado sem documentos, o que dificultou sua identificação. A família registrou seu desaparecimento após perder contato com ele. A última atividade registrada em seu celular foi a visualização de uma mensagem no WhatsApp por volta das 5h da manhã do dia 10.
A identificação oficial ocorreu apenas nesta terça-feira (14), após a realização de exame papiloscópico, baseado nas impressões digitais da vítima. A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os responsáveis.
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