Laudos apontam lesões graves no pulmão de professora que morreu após natação em SP
As lesões mais graves foram identificadas nos pulmões de Juliano Faustino Bassetto, de 27 anos

Laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML) apontam que a professora Juliano Faustino Bassetto, de 27 anos, apresentava lesões na cabeça, rins, fígado e pulmões. Ela morreu por intoxicação após nadar na piscina da academia C4 GYM, na Zona Leste de São Paulo, em fevereiro deste ano.
O documento, obtido pela CNN Brasil, aponta que as lesões mais graves foram identificadas nos pulmões. Segundo o laudo, houve “necrose fibrinoide incipiente dos septos alveolares”.
Esse tipo dano é caracterizado pela morte celular com acúmulo material proteináceo nas paredes dos alvéolos e indica um processo inflamatório agudo compatível com reação a casos de intoxicação, por exemplo.
O documento também reúne análises sobre a água da piscina e os produtos encontrados pela polícia no local dias após o caso. No entanto, o laudo ressalta que o intervalo entre o ocorrido e a realização da perícia impede a reprodução fiel das condições do momento do incidente, já que possíveis gases liberados à época tendem a se dissipar com o passar do tempo.
Ao todo, os peritos relacionaram pelo menos 16 produtos utilizados na limpeza da piscina da academia, dos quais foram coletadas amostras para exame. Em um dos materiais analisados, foi constatada "a presença de substâncias de naturezas químicas distintas, incluindo compostos clorados e substâncias ácidas, cuja eventual interação, a depender das condições de contato, concentração e ambiente, pode resultar em reações químicas com possível liberação de gases irritantes".
Apesar disso, os especialistas destacam que não foi possível comprovar que essa reação tenha de fato ocorrido. Ainda assim, nas considerações técnicas, apontam que é possível admitir, em tese, um cenário de liberação de gás irritante decorrente de interações químicas incompatíveis na área da piscina.
A análise reforça que os produtos não devem ser avaliados de forma isolada, mas em conjunto. De acordo com o documento, havia, de um lado, a presença de compostos clorados nas amostras líquidas e, de outro, um conjunto de substâncias no local com potencial para participar de reações químicas relevantes.
Com base nos elementos examinados, o laudo apresenta duas hipóteses principais: a possível interação entre fontes de cloro e substâncias ácidas, ou a mistura de cloro inorgânico com cloro orgânico.
Sob a perspectiva técnico-química, os peritos afirmam que a presença simultânea de compostos clorados e agentes acidificantes cria uma condição potencialmente favorável à formação de gases irritantes, caso tenha havido contato indevido entre essas substâncias.
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