Investigação aponta que coronel da PM tinha grupo com presos em ação contra o PCC
Grupo de WhatsApp, chamado de 'Aniversário general', ficou ativo ao menos até novembro de 2023; inquérito aponta conversas que evidenciavam relação de proximidade entre militar e presos

O Ministério Público de São Paulo realizou uma operação voltada a suspeitos de bancar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e de operar os conhecidos "tribunais do crime" da facção. Conforme a denúncia a que a CNN Brasil teve acesso, um policial militar mantinha vínculo próximo com dois dos detidos na ação, integrando com eles um mesmo grupo de WhatsApp.
O documento aponta que o coronel Pereira Martins fazia parte do grupo "Aniversário general", ao lado de Cléber Azevedo e Robson Martins de Souza, ambos capturados durante a operação.
Segundo o MP, esse grupo de mensagens seguiu funcionando pelo menos até 21 de novembro de 2023, sendo utilizado para conversas de teor pessoal e social, o que apontaria para uma proximidade entre o oficial e os alvos das investigações.
A denúncia também menciona indícios de que o coronel teria se colocado à disposição para auxiliar os investigados, inclusive fazendo a ponte com outras autoridades, fato que, segundo o texto, reforça a proximidade entre as partes.
Oficiais graduados e doleiros
O material produzido pelo MP expõe conexões entre doleiros, empresários e nomes ligados ao alto escalão da PM paulista. Com base em mensagens interceptadas e planilhas de movimentações financeiras, a investigação cita policiais de patente elevada.
Além do coronel Pereira Martins, aparecem o coronel José Augusto Coutinho e o coronel "Patrício". Nenhum dos três, porém, é investigado ou foi denunciado formalmente. Veja o papel atribuído a cada um:
- Coronel Pereira Martins: apontado como amigo de Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, alvos presos na operação. Há registros de sua participação em grupos de conversa social e de disposição para intermediar contatos com outras autoridades.
- Coronel José Augusto Coutinho: ex-comandante-geral da PM e ex-chefe da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Seu nome surge em conversas dos investigados, o que sugere possível ligação com Amjad Ahmad, operador financeiro do esquema criminoso que atuava na região do Tatuapé junto a outros lavadores de dinheiro.
- Coronel "Patrício": aparece em planilhas de gastos do grupo classificado como "cliente", havendo registros de pagamentos em espécie oriundos da chamada "ticketagem" — atividade ilícita. Mensagens indicam ainda que os operadores tentavam arrecadar recursos para "pagar a polícia".
Estrutura de "banco" e julgamentos paralelos
O esquema investigado atuava como uma espécie de instituição financeira informal para movimentar valores ilícitos. Entre os principais clientes estava Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", apontado como líder da facção na Favela do Moinho, região central de São Paulo.
A apuração também mostra que o empresário Cléber Azevedo dos Santos teria recorrido aos "tribunais do crime" do PCC para solucionar conflitos ligados a imóveis. Em um dos casos, a disputa envolvia uma propriedade de alto padrão em Riviera de São Lourenço, cuja solução teria contado com intervenção direta de lideranças da facção.
Nesta terça (21), 11 pessoas foram presas e outras cinco seguem foragidas. "Léo do Moinho" e "Buiu", que já estavam detidos, foram alvo de novos mandados.
De acordo com o MP, os suspeitos realizavam operações como entrega de dinheiro em espécie, transferências bancárias, uso de empresas e contas de terceiros, além de movimentar recursos em favor de membros e colaboradores do PCC.
Esse conjunto de provas sustentou os pedidos de busca e apreensão, prisão preventiva e bloqueio de imóvel, atualmente sob análise da Justiça. A ação é um desdobramento das operações Bazaar e Recidere, que investigam lavagem de dinheiro, corrupção envolvendo policiais civis e financiamento do PCC.
*Com informações de Julia Farias, da CNN Brasil
Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.
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