Belo Horizonte
Itatiaia

Gravação revela que policial morta em SP planejava deixar marido; confira

Defesa da família afirma que gravação reforça suspeita de feminicídio e aponta medo no relacionamento

Por e 
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto • Foto: Reprodução | Redes Sociais

Um áudio enviado pela soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana ao pai, dias antes de sua morte, pode ajudar a esclarecer as circunstâncias do caso. A gravação foi apresentada pela defesa da família nessa segunda-feira (16) e já foi anexada ao inquérito. Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, na Região Central de São Paulo.

À CNN Brasil, o advogado da família afirmou que o material pode contribuir para a investigação, ao indicar o contexto do relacionamento da policial. No áudio, Gisele fala sobre a rotina de trabalho e a possibilidade de ficar mais próxima da família, principalmente por causa da filha.

Em um dos trechos, ela relata dificuldades com deslocamento e demonstra preferência por morar perto dos familiares.

Pra mim é melhor ir aí na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor… De manhã eu vou sair muito cedo pra ir trabalhar… eu vou ter que deixar a Giovana dormindo aí… então quanto mais perto, melhor.

Disse, Gisele Santana

Segundo a defesa, a mensagem sugere que Gisele não estava bem na situação em que vivia e pretendia se afastar do marido. O advogado afirma que há registros de que ela teria pedido ajuda ao pai para sair de casa, demonstrando medo.

O áudio foi incluído no inquérito para ajudar a contextualizar o estado emocional da vítima antes da morte. Para a família, o conteúdo reforça a hipótese de violência doméstica e a possibilidade de feminicídio, linha que passou a ser considerada durante a investigação.

A Polícia Civil aguarda os resultados de dois novos laudos. Um deles é referente à exumação do corpo da soldado, e o outro, à reconstituição do caso. A partir dessas análises, pode ser avaliada a possibilidade de pedido de prisão do marido, que é tenente-coronel.

O caso

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás.

Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio. No entanto, inconsistências apontadas pela perícia e novos elementos reunidos ao longo da investigação levaram a Justiça a determinar que o caso fosse apurado como possível feminicídio.

Laudos periciais indicaram que a policial morreu após um disparo de arma de fogo na cabeça. Exames também identificaram lesões no rosto e no pescoço, descritas como marcas compatíveis com pressão de dedos e arranhões.

Outro ponto investigado é o intervalo entre o disparo e o acionamento do socorro. Testemunhas relataram que o tiro foi ouvido por volta das 7h28, enquanto o chamado às autoridades ocorreu cerca de 30 minutos depois.

Familiares afirmaram que o relacionamento do casal era conturbado. As polícias Civil e Militar seguem analisando laudos, depoimentos e documentos para esclarecer o que aconteceu no dia da morte.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

Por

Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.