Itatiaia

Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva

Investigação comprovou a impossibilidade de o acusado ter visto o disparo do banheiro como havia declarado em depoimento

Por e 
Reprodução

A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, pediu a revogação da prisão preventiva. A informação foi confirmada pelo advogado da família da vítima.

Em nota, eles afirmam que os pais da vítima, José Simonal Telles de Santana e Marinalva Vieira Alves de Santana, são contrários à soltura do acusado e defendem a manutenção da prisão preventiva, já que o processo ainda não foi concluído.

Segundo a manifestação, os familiares discordam do argumento apresentado pela defesa de que, com o encerramento da fase de instrução do processo, não haveria mais motivos para manter o acusado preso.

Para eles, ainda existem razões que justificam a prisão preventiva, em especial, a alegação de que o tenente-coronel teria mantido contato com testemunhas e feito ataques contra a vítima, os familiares e agentes envolvidos na investigação.

A defesa da família acrescenta que os laudos periciais produzidos no processo afastam a hipótese de suicídio da vítima. Apesar disso, segundo o advogado, o acusado continua sustentando que Gisele teria “surtado” e atentado contra a própria vida. A defesa do tenente-coronel confirmou o pedido, mas optou, por ora, não se manifestar.

Réu por feminicídio

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na Região Central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

De acordo com o MP, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro.

Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa. As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.

Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.

Descarta suicídio

Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a soldado Gisele não cometeu suicídio. O documento destaca a "impossibilidade de que Gisele tenha atirado contra a própria cabeça".

O segundo laudo manteve o mesmo resultado que a documentação anterior e contradiz a versão dos fatos apresentados pelo tenente-coronel. Entre as conclusões, há a incapacidade de Gisele acessar a arma usada no crime que estava em guardada em um guarda-roupa maior que a mulher.

Além disso, foi comprovado, a partir de uma análise, que não era possível visualizar do banheiro o local onde a soldado suspostamente teria cometido o suicídio, contradizendo o tenente-coronel que disse ter visto a esposa tirando a própria vida.

Por

Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte