Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5) em SP
Geraldo Leite Rosa Neto está preso desde março deste ano e responde pelos crimes de feminicídio, cometido contra a própria esposa, a policial, Gisele Alves, e fraude processual

Após ser adiado três vezes, o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelos crimes de feminicídio, cometido contra a esposa, a policial Gisele Alves Santana, e fraude processual, por ter interferido na cena do crime e no curso do caso, deve ocorrer nesta segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
De acordo com Eugenio Malavasi, um dos advogados que compõe a defesa de tenente-coronel, a sessão, que será guiada pelo exercício de autodefesa, por parte de Rosa Neto, deve iniciar às 13h e não há previsão de término.
O Tribunal de Justiça de São Paulo havia adiado o interrogatório no dia 4 de setembro após a defesa do réu solicitar a junção de auto diligências complementares ao inquérito. A oitiva de Geraldo estava marcada para julho e foi remarcada pela primeira vez para agosto.
O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, desde março deste ano.
Descarta suicídio
Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, ao qual a CNN Brasil teve acesso na sexta-feira (3), concluiu que a soldado Gisele não cometeu suicídio. O documento destaca a "impossibilidade de que Gisele tenha atirado contra a própria cabeça".
O segundo laudo manteve o mesmo resultado que a documentação anterior e contradiz a versão dos fatos apresentados pelo tenente-coronel. Entre as conclusões, há a incapacidade de Gisele acessar a arma usada no crime que estava em guardada em um guarda-roupa maior que a mulher.
Além disso, foi comprovado, a partir de uma análise, que não era possível visualizar do banheiro o local onde a soldado suspostamente teria cometido o suicídio, contradizendo o tenente-coronel que disse ter visto a esposa tirando a própria vida.
Encontrada morta no apartamento
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento, no Brás, em 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação passou a apurar a hipótese de feminicídio.
Segundo a acusação, o tenente-coronel teria atirado contra a companheira durante uma discussão e depois alterado a cena para simular um suicídio. Laudos periciais apontaram inconsistências na versão apresentada pela defesa, segundo o Ministério Público.
O oficial também é acusado de ter tentado eliminar vestígios do crime. A investigação identificou vestígios de sangue nas roupas dele e indícios de que teria tomado banho após o crime.
À época, a reportagem acessou trocas de mensagens entre Geraldo e Gisele as quais ele apresentava comportamentos ciumentos e agressivos.
Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.
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