Adolescente perde rim após fugir de 'monstro' em atração de terror do Hopi Hari; parque foi condenado
Por decisão da Justiça de São Paulo, parque de diversões vai ter que indenizar vítima em R$60 mil; caso aconteceu em 2023, mas TJSP decidiu manter condenação nessa segunda-feira (21)

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu, nessa segunda-feira (21), manter uma condenação apresentada contra o parque Hopi Hari, localizado na cidade de Vinhedos, no interior de São Paulo. Nessa ocasião, o parque está sendo condenado por um acidente que provocou a perda do rim direito de uma adolescente de 15 anos. O episódio aconteceu em 2023 durante o evento “Hora do Horror”, uma atração temática de Halloween com personagens fantasiados.
A decisão foi tomada pela 31ª Câmara de Direito Privado, que rejeitou os embargos de declaração apresentados pelo parque. A condenação determina o pagamento de uma indenização de R$ 60 mil à vítima: R$50 mil por danos morais e outros R$10 mil por danos estéticos.
Adolescente caiu enquanto fugia de 'monstro'
Segundo o processo, a adolescente foi ao parque através de uma excursão escolar ao local. A menina estava na atração conhecida como “Casa dos Monstros” quando foi surpreendida por um ator caracterizado. A situação provocou um momento de pânico e correria, e, enquanto fugia do "monstro", a adolescente acabou caindo.
O acidente causou um trauma renal na vítima. Posteriormente, foi necessária a retirada total do rim direito da adolescente. De acordo com a CNN Brasil, uma perícia médica confirmou a existência de relação entre o trauma sofrido durante o acidente e a lesão renal que levou à retirada do órgão. A cirurgia renal ainda deixou a adolescente com uma cicatriz de 17 centímetros no abdômen.
Justiça rejeita recurso apresentado pelo parque
O Hopi Hari havia apresentado embargos de declaração contra uma decisão anterior que manteve a condenação, estabelecida em agosto desse ano. Entre os argumentos apresentados pelo parque estavam alegações de omissões e contradições relacionadas à suposta culpa exclusiva da vítima e à análise das provas periciais.
O relator do caso, desembargador Paulo Ayrosa, entendeu que os pontos levantados pelo Hopi Hari já haviam sido analisados no julgamento anterior. Segundo ele, não foram identificados os vícios previstos no artigo 1.022 do Código de Processo Civil. Com isso, os embargos foram rejeitados e a condenação foi mantida.
Hopi Hari contesta responsabilidade pelo acidente
Em nota enviada à reportagem da CNN Brasil, o Hopi Hari afirmou que o laudo da perita indicada pela Justiça concluiu que o parque não teria contribuído para o resultado do acidente. O parque também declarou que a adolescente não teria seguido as regras da atração, teria corrido e sofrido uma queda dentro de uma atração temporária.
O Hopi Hari afirmou ainda que a condenação ocorreu pelo fato de o incidente ter acontecido nas dependências do parque, mesmo diante da conclusão da perita mencionada pela empresa. Por fim, o departamento jurídico do parque informou que pretende recorrer da decisão.
Confira o posicionamento completo do parque:
"Com relação ao processo em questão, o laudo da perita do juízo concluiu que o Hopi Hari não concorreu para este resultado. A adolescente não seguiu as regras da atração, correu e sofreu uma queda em uma atração temporária do parque.
O juiz decidiu pela condenação apenas pelo fato de o incidente ter ocorrido dentro das dependências do parque. A decisão ocorreu ainda que a perita responsável, INDICADA PELO JUIZ, tenha concluído que não houve tal responsabilidade.
O departamento jurídico do Hopi Hari irá recorrer da decisão".
Outros episódios envolvendo o parque
Uma mulher de 28 anos ficou com sequelas neurológicas graves após andar na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari. A vítima, identificada como Julia Rimoli Bossoni, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e também apresenta limitações na fala depois de sofrer um traumatismo craniano durante o passeio na atração. O acidente aconteceu em 20 de abril deste ano e passou a ser investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
Julia estava no parque acompanhada do marido, João Pedro Bossoni Dionisio, de 26 anos. Segundo depoimento dele à Polícia Civil, os dois fizeram juntos o percurso da Montezum. Durante o trajeto, o marido relatou que a atração apresentou fortes solavancos. Quando o carrinho chegou à estação final do brinquedo, o homem percebeu que Julia estava desacordada e apresentava convulsões. A jovem então recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e, posteriormente, foi levada de ambulância para a Santa Casa de Vinhedo.
No hospital, exames identificaram um hematoma subdural na região frontal do cérebro. Julia precisou passar por uma craniotomia de emergência para conter a hemorragia e a pressão intracraniana. A jovem permaneceu aproximadamente 60 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou por outros procedimentos, incluindo a implantação de uma válvula para drenagem de líquor.
Sobre esse episódio, o parque informou à CNN Brasil que a montanha-russa Montezum possui certificação internacional de segurança emitida pelo grupo alemão TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque também declara que a atração segue as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT.
A empresa afirma ainda que realiza diariamente, antes da abertura do parque, manutenções preventivas mecânicas e elétricas, com verificações dos trilhos, travas, cintos e sistemas de frenagem. O Hopi Hari também diz que existem sinalizações visuais e avisos sonoros sobre restrições médicas para utilização da atração.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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