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'Policiamento privilegiado': PMs são presos por cobrar propina no Rio de Janeiro

De acordo com o MP, os denunciados receberam e negociaram pagamentos para oferecer policiamento privilegiado à Clínica Fênix, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense

PorRio de Janeiro
Imagem meramente ilustrativa • Polícia Militar do Rio de Janeiro/Instagram/Reprodução

Três policiais militares foram denunciados pelo crime de corrupção passiva militar pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ). Nessa quinta-feira (10), MP, junto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), cumpriu três mandados de prisão preventiva contra os denunciados, durante a 6ª fase da Operação Patrinus. A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (SEPPEN).

De acordo com as apurações, dois dos denunciados já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação. Os mandados contra eles foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (BEP), localizado em Niterói, na região Metropolitana do Rio, e na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. O terceiro denunciado foi preso em casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense

De acordo com o MP, os denunciados receberam e negociaram pagamentos para oferecer policiamento privilegiado à Clínica Fênix, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O estabelecimento integrava uma rede de comerciantes e empresas chamados pelos policiais de “padrinhos”, que pagavam para receber atendimento diferenciado. Em troca, os agentes direcionavam o patrulhamento, priorizavam esses locais nas rotas e compareciam quando acionados, utilizando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

No caso da clínica, a investigação identificou o pagamento de R$ 50 e tratativas para que o valor chegasse a R$ 100. Mensagens extraídas do celular de um dos denunciados mostram os envolvidos discutindo a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado. Em uma das conversas, um dos agentes afirma que “na vez dele foi galo”, expressão usada para se referir a R$ 50, e diz ter entendido que o acordo seria de R$ 100. O outro denunciado também relata ter recebido R$ 50.

Segundo as investigações, um dos policiais intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas diferentes equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos. O terceiro teria realizado patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviado ao grupo de WhatsApp fotos da atuação no local e recebido pessoalmente R$ 50. Os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o 39º BPM (Belford Roxo). Um deles foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia, que foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A Operação Patrinus teve início em maio de 2024, a partir de uma investigação envolvendo policiais militares do 39º BPM, em Belford Roxo. A análise de celulares apreendidos revelou novos integrantes e outras práticas criminosas, dando origem a sucessivos desdobramentos.

Em agosto de 2025, dez policiais militares foram presos acusados de achacar comerciantes. Em maio deste ano, o GAESP/MPRJ denunciou 11 policiais por receber propina para prestar segurança a estabelecimentos durante o expediente. No mês seguinte, quatro PMs foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo, acusados de vender uma pistola apreendida durante uma ocorrência e dividir o dinheiro.

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Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

 

 

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