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MP denuncia 27 policiais por desligamento de câmeras corporais em operação que matou 122 no RJ

Em 17% dos casos avaliados, policiais retiraram câmeras corporais durante operação e em outros 7,8%, foram identificados indícios de obstrução proposital das imagens

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Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, após a megaoperação mais letal da história do Estado.
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, após a megaoperação mais letal da história do Estado. • Foto: EGBERTO RAS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que já denunciou 27 policiais militares por supostas ilegalidades cometidas durante a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025. Ao todo, foram apresentadas oito denúncias relacionadas a crimes como apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasões de domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais. As medidas fazem parte de uma investigação independente conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio para apurar a atuação das forças de segurança durante a operação.

A megaoperação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, teve como alvo o Comando Vermelho (CV), e se tornou a mais letal da história do Rio de Janeiro. Ao todo, foram registradas 122 mortes, sendo as vítimas 117 suspeitos e 5 policiais militares.

Segundo o Ministério Público, a apuração foi estruturada em três frentes: análise técnico-científica, investigação policial e atendimento aos familiares das vítimas. Entre as primeiras providências adotadas estiveram a requisição de documentos, registros audiovisuais e informações sobre o planejamento da ação às polícias Militar e Civil, além da realização de perícias próprias e acompanhamento de necropsias.

Um dos focos da investigação é a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes. Mais de 3.600 horas de gravações estão sendo examinadas pelo MPRJ. Até o momento, o conteúdo dos equipamentos utilizados por 51 policiais do BOPE foi analisado. De acordo com o órgão, em 17% dos casos avaliados os policiais retiraram as câmeras corporais durante a operação. Em outros 7,8%, foram identificados indícios de obstrução proposital das imagens. Já em 82% das gravações analisadas preliminarmente, os equipamentos teriam sido utilizados de forma adequada.

No eixo policial da investigação, mais de 200 agentes envolvidos em confrontos armados já prestaram depoimento. O Ministério Público também iniciou, em junho deste ano, as oitivas de pessoas presas durante a operação para obter diferentes versões sobre os acontecimentos. O trabalho inclui ainda o acompanhamento de familiares das vítimas. Promotores realizaram buscas ativas para localizar parentes dos mortos e colher depoimentos. Em ações realizadas nos meses de março e abril deste ano, dezenas de familiares foram ouvidos e cadastrados para receber informações sobre o andamento das investigações.

Além das apurações criminais, o MPRJ informou que expediu recomendações aos órgãos de segurança pública para aprimorar protocolos de operações policiais e fortalecer o uso das câmeras corporais, com o objetivo de reduzir riscos, evitar abusos e conter a letalidade em futuras ações.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.