Mãe do rapper Oruam deixa a prisão e vai para prisão domiciliar após decisão do STF
Márcia Gama Nepomuceno, presa na Operação Blackbone contra o monopólio da internet pelo Comando Vermelho, deixou o Presídio Dolores de Oliveira e passou a usar tornozeleira eletrônica

Márcia Gama Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, passou para o reigme de prisão domiciliar na manhã deste domingo (8). De acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Penal, ela deixou o Presídio Dolores de Oliveira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e passou a usar tornozeleira eletrônica, instalada pela equipe de Monitoração Eletrônica da secretaria.
A medida aconteceu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Márcia foi presa durante a Operação Blackbone, da Polícia Federal (PF), em 19 de outubro deste ano.
A ação investigou o monopólio de serviços de internet imposto pelo Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio. Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, filho de Márcia e irmão de Oruam, também foi preso.
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De acordo com a PF, Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, continuava, mesmo preso, a controlar atividades empresariais exploradas nesses territórios em conjunto com familiares e outras lideranças do Comando Vermelho.
Os mandados da operação foram determinados pelo ministro Alexandre de Morais, do STF, que também decidiu pela conversão da prisão de Márcia para o regime domiciliar.
'Internet do tráfico'
As investigações da Polícia Federal apontam um esquema em que traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada "internet do tráfico".
Os provedores autorizados pelo Comando Vermelho pagam mensalmente uma "tarifa" pelo direito de operar no território, ainda segundo a PF.
Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
A exploração do serviço virou uma das principais atividades lucrativas do crime organizado. De acordo com a Polícia Federal, a atividade fomenta a guerra pelo controle de territórios, pois cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção.
Os lucros chegavam à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão, pagos em dinheiro vivo, e criptoativos.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



