Vídeo: louvor no hospital emociona na despedida de líder comunitária que fez história em BH
Maria das Graças Silva Ferreira, 62 anos, deixa um legado que se confunde com a própria história do bairro Confisco, na Pampulha

“Por toda a minha vida, ó Senhor, te louvarei. Pois meu fôlego é a tua vida. E nunca me cansarei”. O trecho do louvor “O Escudo” simboliza a passagem de Maria das Graças Silva Ferreira, 62 anos, pela vida. Líder comunitária do bairro Confisco e referência de luta na região da Pampulha, ela morreu no dia 23 de abril, no Hospital Municipal Dr. Célio de Castro, no Barreiro, em Belo Horizonte. Seis dias antes da morte, filhas, netos e a amiga (e cantora gospel) Milena de Castro cantaram, no leito do hospital, louvores preferidos de dona Graça, que deixa um legado que se confunde com a própria história da comunidade.
A música “O Escudo”, do pastor Carlos Alberto Moysés, da banda Voz da Verdade, foi uma das canções escolhidas pelos familiares. Assim como o trecho da letra, Débora Cássia Silva Ferreira, de 37 anos, filha de dona Graça, descreve a mãe como uma “guerreira que nunca desistiu diante das dificuldades” da vida.
A ideia de homenagear a mãe surgiu após uma das filhas ver vídeos de homenagens semelhantes feitas pelo Hospital Célio de Castro e ter um sonho com um louvor sendo entoado para a mãe.
"O hospital, com todo carinho e abertura, proporcionou esse momento no qual os filhos e netos puderam ir até o local e prestar essa homenagem", recorda Débora, em entrevista à Itatiaia.
Nascida em Mutum e radicada em Belo Horizonte, Maria das Graças foi uma das precursoras da ocupação na região. Segundo Débora, a mãe enfrentou tempos de extrema dificuldade no início: ela chegou à região há décadas e morou em um barraco de lona. Auxiliar de serviços gerais por profissão, sua verdadeira vocação era o bem-estar coletivo. "Em toda a sua vida, atuou na área social, principalmente em sua comunidade, o bairro Confisco", explica a filha, destacando que Maria foi peça-chave para a chegada de melhorias fundamentais, como o Cras, a praça local, a Escola Anne Frank e a feira do bairro.
A luta pela vida
No início de 2026, a saúde de dona Graça tornou-se delicada. Diagnosticada com trombose, o quadro evoluiu para complicações renais e pneumonia, levando-a a uma internação de 75 dias no Hospital Dr. Célio de Castro. Durante esse período, Débora relata que a mãe precisou ser entubada três vezes.
Mesmo diante da gravidade, a família destaca o suporte recebido: "No hospital, não só a dona Graça teve toda a assistência que precisou, mas também a família foi assistida pela equipe hospitalar".
Quando a equipe médica identificou que o quadro era irreversível, iniciou-se o protocolo de cuidados paliativos.
Para a família, o tratamento recebido no hospital foi um diferencial no processo de luto. "Eu gostaria de deixar bem claro que, em todo o tempo, ela foi muito bem cuidada pela equipe do Hospital Dr. Célio de Castro", enfatiza Débora, estendendo o agradecimento desde a portaria até a equipe médica.
Para os filhos, a permissão para a última homenagem "significou muito" e honrou a vida da mulher que ajudou a transformar um terreno de barracos de lona em um bairro estruturado.
Viúva, Maria das Graças deixou três filhos (Débora, 37 anos, Arlei Silva Ferreira, 41, e Andreza Silva Ferreira, 42) e cinco netos. Parte do legado dela está no perfil do @podcomgracabh, no Instagram. Por meio da página, ela contava histórias do bairro e de moradores.
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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.
