Vereador pede que cada taxista 'recue pra sua praça' em meio a impasse em Confins
Assunto foi tema de mais um debate, desta vez na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte

Taxistas de Belo Horizonte seguem procurando meios para poder embarcar passageiros no Aeroporto Internacional, situado em Confins, na Grande BH. A distância do Centro da capital até o terminal é de aproximadamente 40 quilômetros, e as viagens têm valor superior a R$ 120. Mas uma regra impede que taxistas com registro em um município embarquem passageiros em outras cidades - o que tem causado transtorno para motoristas de Confins, Lagoa Santa e Belo Horizonte.
O assunto foi tema de debate na Assembleia Legislativa. Nesta quinta-feira (4), o assunto movimentou a Comissão de Mobilidade Urbana da Câmara de Vereadores de BH.
Presidente do Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais (Sincavir), João Paulo Castro diz que basta um acordo entre as prefeituras para que o impasse seja superado.
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"Exatamente, isso é feito entre prefeituras. Nós precisamos de ter a sensibilidade e ter a consciência que em Confins também existem muitos taxistas e esses taxistas passam por dificuldades lá também. Então seria, sim, muito bom para Belo Horizonte ter o direito de buscar, mas o que a gente quer não é isso. A gente quer também entregar algum benefício para a praça de Confins. Lá existem muitos trabalhadores que necessitam da demanda do aeroporto para sobreviver. Então teria que ser, sim, uma moeda de troca e esse é o nosso objetivo de trazer para essa discussão", avalia João Paulo.
Hoje, o taxista que é flagrado embarcando passageiros fora da sua cidade de registro está sujeito à multa, e ainda pode ser o veículo apreendido. Em Minas Gerais, a multa para táxis que embarcam fora de sua cidade de registro, caracterizando transporte clandestino ou irregular, pode ser de R$ 1.972,00, de acordo com o Decreto nº 48.121/2021.
Confins é contra o intercâmbio de taxistas
Procurada pela Itatiaia, a prefeitura de Confins não quis responder aos nossos questionamentos.
O presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos) diz considerar absurda esta barreira.
"É inacreditável! Você está em pleno século XXI, saber que o taxista de Belo Horizonte pode transportar um passageiro até Confins, mas não pode pegar qualquer passageiro de volta. Ele está sendo multado, ele está sendo guinchado. A ideia aqui é tentar um convênio, uma parceria pra que tantos os taxistas daquela região metropolitana, Vespasiano, Confins, Lagoa Santa, possam também transportar o passageiro de Belo Horizonte, e o taxista de Belo Horizonte também possa transportar o passageiro que tá lá", defende Juliano.
Como funciona?
Hoje taxistas só podem tripular passageiros na cidade onde consta o registro, ou em municípios parceiros. Dessa forma, o taxista com registro em BH pode levar passageiros até o Aeroporto Internacional, mas teria que voltar vazio pra cidade de origem.
Da mesma forma, o taxista com registro em Confins poderia embarcar passageiros no aeroporto, mesmo que o destino seja BH. Mas teria que retornar da capital com o veículo vazio.
Hoje BH tem convênio com as cidades de Contagem, Ibirité, Sabará, Ribeirão das Neves e Esmeraldas. O programa é intitulado "Praça Integrada", permitindo o livre embarque/desembarque de passageiros nestas cidades.
Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.



