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Veja o que se sabe até agora sobre o caso da ponte de 20 metros levada em MG

Polícia Civil investiga o caso, que ganhou repercussão nacional e é digno de uma produção cinematográfica

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Comprador de ponte furtada em MG se posiciona e diz que transação foi regular
Comprador de ponte furtada em MG se posiciona e diz que transação foi regular • Divulgação/ PCMG

O desaparecimento de uma ponte do século XIX, com 20 metros de extensão, ainda tem mais perguntas do que respostas. A estrutura ficava na zona rural da cidade de Prados, no Campo das Vertentes, e foi retirada do local na última sexta-feira (5) e localizada em uma fazenda no distrito de Mogol, zona rural do município de Lima Duarte, na Zona da Mata mineira, distante 120 km de Prados.

A Polícia Civil investiga o caso, que ganhou repercussão nacional e é digno de uma produção cinematográfica. Foram usados uma carreta, um caminhão munck e uma escavadeira para remover a estrutura, que foi trazida da Inglaterra para o Brasil em 1850.

Vendida ou furtada?

Uma das perguntas a serem respondidas pela investigação é se a ponte foi vendida ilegalmente ou furtada. A empresa Ibiti Projeto alegou, por meio de nota, que a ponte "foi adquirida de forma regular junto a comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes". A reportagem da Itatiaia apurou que a Ibiti Projeto pagou cerca de R$ 700 mil pela estrutura. A empresa não informou oficialmente os valores.

A empresa disse ainda que a operação de transporte foi realizada com as devidas autorizações dos órgãos competentes. "Ao tomar conhecimento dos questionamentos relacionados à origem da estrutura, o Ibiti Projeto foi igualmente surpreendido pelos fatos e imediatamente procurou as autoridades competentes, apresentando toda a documentação disponível, indicando a localização do bem e colaborando integralmente com as apurações", acrescentou.

Ponte foi levada de Prados para Lima Duarte • Reprodução/ Defesa Civil de Prados-MG
Ponte foi levada de Prados para Lima Duarte • Reprodução/ Defesa Civil de Prados-MG

Cleiton Lima, do setor jurídico da Prefeitura de Prados, disse à Itatiaia nessa quarta-feira (11) que até mesmo a Polícia Federal poderia ser acionada. Isso porque a ponte integra o patrimônio da União e, por isso, o caso pode extrapolar a esfera estadual.

"Ela está patrimoniada no Serviço de Patrimônio da União. Isso gera interesse direto da União no caso e, no nosso entendimento, pode atrair a competência da Polícia Federal para conduzir as investigações", explicou Cleiton.

"Não é porque um aparato desse se encontra eventualmente em um imóvel particular que o dono do imóvel passa a ser proprietário da ponte. A União detém a propriedade efetiva desse bem", acrescentou o advogado.

O que diz a Prefeitura de Prados?

Em nota, a Prefeitura de Prados afirmou que a ponte ficava localizada na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada, nas proximidades da BR-265. "A estrutura, pertencente ao antigo trecho da Ferrovia Oeste de Minas e atualmente sem utilização ferroviária, possuía valor histórico para o município e era frequentemente utilizada por ciclistas que percorrem o antigo leito da ferrovia", informou o Executivo municipal.

De acordo com a prefeitura, assim que a situação foi constatada, representantes da Administração Municipal foram ao local para averiguar os fatos e acompanhar os procedimentos necessários. O Executivo municipal informou que um boletim de ocorrência foi registrado. "A Prefeitura de Prados acompanhará o andamento das investigações e prestará todo o apoio necessário aos órgãos de segurança pública para o esclarecimento dos fatos", afirmou em nota oficial.

A ponte, inaugurada no século XIX, faz parte de um trecho desativado da malha da Estrada de Ferro Oeste de Minas. De acordo com a Prefeitura de Prados, a ponte ficava localizada na região conhecida como “58”, entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada, nas proximidades da BR-265.

Além de desvendar se foi venda ou furto, a investigação da Polícia Civil vai apontar quem é a pessoa que negociou a ponte com a Ibiti Projeto. Ela tinha autorização? Outros questionamentos feitos por moradores da cidade e internautas são: a ponte será recolocada no local? Quando? Quem vai arcar com o valor da recolocação?

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.