Vale pode ampliar atuação para terras raras, mas decisão depende de retorno e escala
Segundo o presidente da Vale, a companhia avalia oportunidades no setor e defende aproximação da mineração com a sociedade para recuperar a 'licença para operar'

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira (25), durante entrevista coletiva na Exposibram 2026, no Expominas, na região Oeste de Belo Horizonte, que a empresa avalia oportunidades de atuação no mercado de terras raras, mas ainda não definiu uma estratégia para realizar investimentos no setor.
Segundo Pimenta, a Vale está em uma fase de estudos para avaliar se as terras raras podem se tornar relevantes para o portfólio da companhia no médio e longo prazo. Entre os critérios analisados estão o potencial de geração de resultados, a possibilidade de atuação em escala e a existência de vantagens competitivas e competências dentro da empresa.
“Hoje, estamos explorando para ver se esse é um mercado que pode ser relevante, se pode contribuir de forma decisiva dentro do nosso portfólio”, afirmou.
O presidente destacou que qualquer eventual investimento em minerais que não estejam entre as três principais commodities atualmente trabalhadas pela Vale seguirá a política de disciplina na alocação de capital da companhia.
“Somos muito prudentes e olhamos isso, obviamente, com muito cuidado, para aquilo que faça sentido para os investidores da Vale e que gere valor no médio e longo prazo”, disse.
Pimenta afirmou ainda que a empresa mantém estudos sobre outras oportunidades no setor mineral, embora o foco atual continue concentrado nas três commodities principais da companhia.
“É nosso dever como mineradora. Diria que hoje o foco são essas três commodities, mas seguimos avaliando outras oportunidades”, declarou.
Preconceito contra a mineração
Durante a entrevista, Pimenta também foi questionado sobre a imagem negativa da mineração e sobre o que poderia ser feito para facilitar a aprovação de novos projetos minerais.
Para o presidente da Vale, o setor precisa aproximar a mineração da sociedade e demonstrar, além da importância econômica da atividade, os impactos positivos que os projetos podem gerar para a população e para os territórios onde as empresas atuam.
“Temos que, além de apenas mostrar que o que fazemos é importante, mostrar que o que fazemos melhora a vida das pessoas e que os territórios que estão ao nosso redor progridem”, afirmou.
Segundo Pimenta, essa aproximação com a sociedade é uma pauta que vem sendo adotada pela Vale e também por outras empresas do setor. Ele citou a existência de uma nova geração de lideranças na mineração com uma visão mais voltada ao diálogo com a sociedade.
Na avaliação do executivo, essa mudança de postura pode contribuir para recuperar a chamada “licença para operar”, ou seja, a aceitação social necessária para a atividade mineradora.
“Vejo uma geração liderando empresas de mineração com esse olhar muito mais voltado a trazer a sociedade ao longo dessa jornada. E acho que, no momento em que fizermos isso, vamos reconquistar essa licença para operar”, concluiu.
Marcello Pereira é jornalista formado pelo UniBH e Editor de Redes Sociais na Itatiaia. Atua com estratégia digital, gestão de conteúdo para plataformas como Instagram e TikTok, coordenação de equipes e análise de métricas. Também possui experiência em assessoria de imprensa e comunicação institucional, com interesse em inovação, tecnologia e análise de dados.



