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Trocar o ônibus por moto de app eleva em até 40 vezes o risco de acidente, alerta observatório

Especialistas alertam para os impactos da popularização das motocicletas por aplicativo; em 2026, o SAMU de Belo Horizonte já atendeu mais de 3 mil ocorrências envolvendo motos

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Vítima sofreu traumatismo craniano grave e não resistiu aos ferimentos
Vítima sofreu traumatismo craniano grave e não resistiu aos ferimentos • Imagem cedida à Itatiaia

O crescimento do uso de motocicletas por aplicativo em Belo Horizonte tem acendido um alerta entre especialistas em segurança no trânsito. Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária indicam que um passageiro que deixa de utilizar o ônibus para fazer o mesmo trajeto de moto pode aumentar em até 40 vezes o risco de sofrer um acidente.

A preocupação é reforçada pelos números da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Em Minas Gerais, quase mil pessoas morreram em acidentes envolvendo motocicletas no último ano. Na capital, os casos também têm se tornado mais frequentes. Nesta quinta-feira (16), uma passageira de 58 anos que utilizava uma moto por aplicativo morreu após um acidente envolvendo um ônibus no bairro Planalto, na região Norte de Belo Horizonte.

Para o representante do Observatório Nacional de Segurança Viária, Ronaro Ferreira, a expansão desse tipo de transporte está diretamente ligada às dificuldades enfrentadas pelos usuários do transporte coletivo. "Se a gente observa a qualidade do sistema de transporte por ônibus, é fácil entender que as pessoas que estavam usando o ônibus queiram usar outro transporte. A motocicleta parece uma coisa mágica porque é cinco, sete vezes mais rápida do que ir de ônibus."

Segundo ele, porém, a agilidade tem um custo elevado em termos de segurança. "O risco de acidente de motociclistas é cinco vezes maior que o de quem está usando automóvel, que é oito vezes maior do que o de quem estava usando ônibus. Cada vez que um passageiro deixa o ônibus para usar uma moto, o risco de acidente aumenta 40 vezes", disse.

Ferreira também defende a criação de regras específicas para o funcionamento das plataformas de transporte por motocicleta. "É fundamental que existam regras para um serviço desse, porque sabemos que é um serviço de alto risco", complementou.

Na avaliação do especialista, a ausência de regulamentação transfere os impactos para o sistema público. "Infelizmente, não é interesse das empresas se sujeitarem a regra nenhuma. Elas não querem pagar impostos, não querem informar nomes, não querem controlar nada. Quem paga o preço é a sociedade, porque cada motociclista ou garupeiro que cai no chão vai ocupar o nosso SAMU, o nosso pronto-socorro e vai congestionar o nosso trânsito. Isso vai ser um problema para a sociedade, e não para a empresa", destacou.

Atendimentos do SAMU disparam

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) já registrou mais de 3 mil ocorrências envolvendo motocicletas em 2026. O número representa cerca de 72% de todos os atendimentos desse tipo realizados ao longo de 2025, indicando um crescimento expressivo dos acidentes na capital.

PM orienta passageiros sobre cuidados

Diante do aumento das ocorrências, a Polícia Militar reforça que a segurança também depende do comportamento do passageiro durante a viagem. O tenente Fiúza, do Batalhão de Trânsito da PM, orienta que o capacete seja conferido antes do início do deslocamento. "Antes de iniciar o deslocamento, é necessário verificar se o capacete está em boas condições e afivelado."

Durante o trajeto, o passageiro deve permanecer sentado corretamente, manter os pés nas pedaleiras e evitar movimentos bruscos. "O passageiro tem que permanecer sentado adequadamente, manter os pés nas pedaleiras, segurar nas alças e evitar movimentos bruscos", disse. O militar também alerta para atitudes que comprometem a segurança.

"Entre os comportamentos que podem comprometer a segurança do passageiro estão o uso do celular, o uso inadequado do capacete e transportar objetos que dificultem a condução da motocicleta", acrescentou. Caso o condutor adote uma direção imprudente, a recomendação é interromper a viagem. "Ao perceber que o condutor está sendo imprudente, o passageiro deve interromper a viagem em algum lugar seguro, preservando a própria integridade física", orientou.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.